Coisas inesperadas são a melhor

Vampiro: A Máscara backstory de personagem

2020.06.08 19:02 Coming_Back_To_Life Vampiro: A Máscara backstory de personagem

Olá pessoal, gostaria de compartilhar o backstory do meu personagem atual de Vampiro a Máscara. A nossa campanha se passa nos dias atuais, em Brasília, e eu resolvi fazer um personagem que está nessas terras a um tempinho. Espero que curtam.
Eu morava em uma cidade chamada Campo Formoso, no estado de Goiás. Uma cidade pequena, de gente simples, que sempre existiu na base da esperança do progresso que viria junto da prometida linha do trem. Eu vivi até morrer e não vim trem algum.
Minha família era pequena, mas grande o bastante para ter dificuldade para se esconder da sombra da fome e das necessidades. Desde criança fui ensinado a caçar no cerrado, as vezes na pedrada ou paulada, as vezes na surdina para não despertar o bicho ou o seu dono.
Quando passei dos dez anos ganhei minha primeira carabina, paga com queijo feito de leite de vaca magra. Não havia privilégio de errar os tiros, já que bala não dá em árvore, mas árvore dá em criança que erra o tiro, espanta a caça, chama a fome e desperdiça a munição.
Nos dias em que a caça era das boas, chegada era a hora de colocar em prática outra habilidade tão importante quanto conseguir caça de sobra: Vender, ainda que as vezes para quem não precise ou não queira comprar. Uma conversa mais próxima, uns trejeitos reconstituindo como foi a caçada na frente do comprador e as vezes até o cumprimentar carismático com as duas mãos juntas, tudo pela família.
Passando o tempo e o tempo passando, com os anos em meio ao cerrado também aprendi a diferenciar o que faz bem e dá energia daquilo que faz a pessoa desistir de tentar pôr hoje. Nem toda raiz forte faz mal e com algumas folhas maceradas se faz um chá e do bagaço curativo para feridas.
Por volta dos meus 17 anos chegou em Campo Formoso a pessoa que definiria o meu futuro de forma definitiva, para bem e para mal.
Miguel dos Anjos, um homem de meia idade, mas com ar jovial. Boa forma física, cabelos castanhos-fogo e vestido como quem não espera visitas. Logo se instalou em uma casa de tábuas de Mutambo no fim da segunda rua depois da avenida principal. A casa mais parecia uma morada de João de Barro, sem muito conforto por dentro e luz do sol somente por fora. Não tinha cadeiras, ou confortos básicos, talvez fosse assim que as pessoas fizessem em outras cidades. Vai saber. Dentre as poucas posses, ele tinha um par de luvas grandes e vermelhas, com cadarços brancos, boxe. Eram luvas de boxe. Eu não sabia o que isso queria dizer, mas não via a hora de saber.
Poucos dias depois da sua chegada à cidade, nós passamos a conviver e como foi fácil nos tornarmos amigos. Parece que caímos como uma luva um para o outro. Logo eu comecei a aprender a lutar, parecia que todos os sacrifícios e dificuldades da vida serviram para tornar mais fácil a minha habilidade para esse esporte. Em pouco tempo passamos a treinar todos os dias, enquanto dividíamos histórias sobre o cerrado e as coisas que andam pelo mato, falávamos até sobre lendas que outras pessoas da cidade sonhavam em esquecer.
Os anos passaram. Cada vez eu tinha de me preocupar menos com caçar ou barganhar no mercadinho da cidade pelo pão de cada dia. Boxe, o caminho para mim era o boxe.
E assim foi até o dia, muitos anos depois, da etapa regional de boxe peso-pena da cidade de Campo Formoso.
Só muito tempo depois eu descobriria a notícia a seguir, mas o importante é que eventualmente eu descobri:
Clarim Goiano
Mathias - Luvas de aço e Coração de Ouro
Mathias Oliveira venceu na noite de ontem, 22 de Junho de 1940 em Campo Formoso, a etapa regional de boxe peso-pena. A vitória suada no ringue goiano classificou o atleta para disputar o campeonato nacional.
Aquela noite seria a última em Campo Formoso, até o dia em que só existiriam noites. Depois de lutar e conseguir a vitória eu tive de ir às pressas para a rodoviária pegar o último ônibus em direção a São Paulo, consegui embarcar a tempo, mas nunca cheguei ao destino.
Quando eu desperto eu não sei onde estou e nem o que aconteceu comigo. Logo descubro que sou um monstro! Minha pele agora é fria, meus dentes parecem afiados e sinto fome de algo que nunca comi e mais do que fome, desejo.
Eu perambulo noite após noite tentando entender o que aconteceu, tentando me encontrar, mas a confusão é tanta que me perco em pensamentos e em meio todo tipo de matagal. Chama a minha atenção os diversos tipos de besta que surgem na escuridão, mas aparentemente nenhuma com coragem o bastante para se aproximar de mim.
Com o tempo aceito que agora eu sou isso...
Eventualmente eu consigo voltar pra minha cidade, entretanto ela está absolutamente abandonada.
Em busca de respostas eu acabo descobrindo na biblioteca, se é que posso chamar assim, um jornal datado de alguns anos atrás, nele a notícia: "Governador Brandão muda planos sobre ferrovia".
Certamente com essa notícia de que a ferrovia não viria mais para a cidade as pessoas largam a esperança de morar aqui e abandonam a cidade.
Desolado eu sigo em frente e chego até a minha antiga casa, quase nada foi deixado pra trás, algumas roupas rasgadas pelo chão, a parafina de várias velas e sujeira, bastante sujeira.
No meu antigo quarto eu vejo um jornal do dia seguinte da minha luta.
Na capa uma foto minha com os braços levantados comemorando a vitória, ao fundo tentando se levantar nas cordas está o meu oponente, porém eu não consigo ver o seu rosto, eu sei que está na foto, mas eu não consigo ver!
Há ainda uma outra pessoa na foto, ao fundo, na torcida que eu também não consigo ver o rosto, apenas um borrão.
Eventualmente eu sigo em frente, mas levo sempre comigo algumas coisas como lembrança da minha vida, dentre elas esse jornal.
Um dia um colega de viagem, muito talentoso na arte do desenho e pintura se impressiona com a minha história de boxeador, pelo menos com a parte que eu permiti que ele soubesse e assim ele se oferece para recriar a foto com um toque mais artístico.
No que ele faz o desenho eu consigo ver os rostos que antes apareciam borrados para mim. Eu não me lembro daqueles rostos, mas suspeito que estão ligados ao fato de que eu me tornei um vampiro.
Talvez o adversário que eu derrotei fosse um vampiro?
Apesar de a cidade ter sido abandonada, vez ou outra eu me via andando pelas redondezas, talvez a procura de um rosto familiar.
Esse desejo me foi realizado.
Certa vez enquanto observava as nuvens negras no céu, por vezes encobrindo as estrelas e a lua, fui surpreendido com uma visita inesperada.
Miguel dos Anjos, o meu antigo treinador de boxe, além da surpresa da sua presença ele também me surpreendeu a tornar algo bem claro.
Ao perceber que eu não havia chegado ao meu destino, ele se pôs a me procurar incansavelmente. Depois de duas noites me encontrou num matagal, a meio fio de distância da morte. Mesmo sabendo que o ônibus que eu havia tomado chegou ao destino, ele se sentiu tentado a procurar os destroços de qualquer que fosse o acidente em que eu havia me envolvido. O estrago era muito grande.
Ele decidiu me "salvar" e assim me transformou em um morto imortal, da morte nasceu o eu vampiro.
Ao longo dos anos ele se pôs a me ensinar o que é ser Gangrel, as leis do novo mundo e os limites dos meus novos poderes.
Eventualmente chegou a nós uma notícia que deixou Miguel extremamente transtornado, no coração do cerrado se materializaria uma nova cidade, das mais modernas, feita de rios de concreto e sem meia consideração com as terras daquele planalto. Como nenhuma flor são só espinhos, havia algo de bom nessa história. Junto com a nova capital, chegaria nessas terras um outro Gangrel chamada Annabelle, a quem sou apresentado e com quem passamos várias noites conversando sobre quem somos e principalmente sobre as implicações da nova cidade que estava nascendo. Dentro de pouco tempo a insatisfação e a irritação com relação a tudo isso cobra o seu preço e Miguel decide que deve retornar para o cerrado virgem onde certamente estará mais em sintonia com a sua natureza.
Passados alguns anos, buscando meios de aperfeiçoar as minhas habilidades medicinais eu acabei fazendo amizade com uma moça, na época, chamada Leia. Curioso como percebemos que sabíamos tantas coisas diferentes sobre as plantas do cerrado. Uma mesma planta, mas com usos totalmente distintos. Eventualmente, talvez por conta do meu carisma ou por conta euforia que Leia sentiu em poder dividir sua forma de ver o mundo com alguém, ela me confessou ser uma bruxa. Me contou com alegria sobre a sua ligação com a natureza e com os animais. Eu aproveitei a deixa para lhe contar que eu também sei um feitiço, sobre como me manter sempre jovem, mas que não poderia jamais revelá-lo sobre pena de perder o seu efeito. Ao longo de todos esses anos ela nunca me questionou, por mais que as vezes seja fácil perceber a curiosidade nos seus olhos.
Nada melhor do que o encontro de dois espíritos livres. Foi assim que a minha amizade com o Oliveira começou. Brasília se mostrou uma cidade fácil de se entediar. Isso se torna um pouco mais difícil quando você está em cima de uma moto rasgando os eixos do planalto de ponta a ponta no silêncio da noite, ouvindo apenas o borbulhar do escapamento que meio grita meio tosse como um velho fumante e alcoólatra. A lataria tremendo com o sobe e desce dos pistões a cada revolução do motor e o som rápido e curto dos postes, placas e outros veículos que ficam para trás. Pilotar é pra mim, uma daquelas coisas na vida que a gente não sabe fazer muito bem, mas se diverte fazendo. Já o Oliveira sabe o bastante para ensinar. Depois de horas pilotando, os braços ficam doloridos de tanto ler o que se escreve em braile ao longo do tempo no asfalto, costumamos ir para um mirante olhar a cidade dormir.
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2020.03.21 05:06 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 4

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/52918461011
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6
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Os muitos prognósticos e especulações loucas nas partes anteriores, na verdade, não são nada comparado ao que se segue. Ao contrário de Jaime, que tem acesso a muitas informações úteis como comandante das forças da coroa nas Terras Fluviais, não há pistas sobre as atividades dos supostos conspiradores nortenhos.
Dentre os POVs no Norte em A Dança dos Dragões, Davos, Theon e Asha não são confiáveis. O primeiro por ser o homem de Stannis, leal e verdadeiro, os dois últimos por serem homens de ferro e prisioneiros. Melisandre tem apenas um capítulo, em que ela não é tão onisciente quanto finge ser. (Rezo por um vislumbre de Azor Ahai, e R'hllor me mostra apenas Snow) E Jon? Bem, se a teoria estiver correta, ele provavelmente será o último a saber, (risadas), pois seus futuros súditos nortenhos não arriscariam por seu novo rei em perigo.
É verdade que os jogadores e jogadas estão tão obscurecidos que talvez seja uma indicação de que a Grande Conspiração do Norte está no caminho certo. Melhor para GRRM poder desvelar dramaticamente a queda catártica dos Lannisters, Boltons e Freys nas mãos dos lealistas Stark quando Os Ventos do Inverno chegar. [...]

O Norte: Os Homens dos Stark

Rastreando os Mormonts e Glovers

Juntar os fios de uma conspiração no Norte é como um jogo elaborado de telefone sem fio. Um extremo da linha está com Galbart Glover e Maege Mormont, que são testemunhas do decreto de Robb de nomear seu herdeiro, que se assume ser um Jon legitimado.
[Robb:] Senhor, preciso que dois de seus dracares contornem o Cabo das Águias e subam o Gargalo até a Atalaia da Água Cinzenta.
Lorde Jason [Mallister] hesitou.
– A floresta úmida é drenada por uma dúzia de cursos de água, todos eles rasos, assoreados e por mapear. Nem chamaria de rios. Os canais andam sempre derivando e se alterando. Há inúmeros bancos de areia, troncos caídos e emaranhados de árvores em putrefação. E a Atalaia da Água Cinzenta desloca-se. Como os meus navios irão encontrá-la?– Subam o rio exibindo o meu estandarte. Os cranogmanos vão encontrá-los. Quero dois navios para duplicar as chances de minha mensagem chegar a Howland Reed. A Senhora Maege irá num deles, Galbart no segundo. – Virou-se para os dois que tinha indicado. – Levarão cartas para os meus senhores que permanecem no Norte, mas todas as ordens nelas contidas serão falsas, para o caso de terem o azar de serem capturados. Se isso acontecer, deverão dizer-lhes que se dirigiam ao norte. De volta à Ilha dos Ursos, ou na direção da Costa Pedregosa.
(ASOS, Catelyn V)
Robb morre antes que ele possa tentar sua estratégia de retomar Fosso Cailin, mas Maege e Galbart desaparecem no Gargalo, para nunca mais serem vistos em momento nenhum de A Dança dos Dragões. Existem, no entanto, algumas dicas de que os dois mensageiros foram recebidos por Howland Reed e, mais interessantemente, voltaram a fazer contato com seus parentes no Norte.
Em primeiro lugar, os cranogmanos aparentemente começam uma campanha para livrar Fosso Cailin dos homens de ferro, cumprindo o último objetivo de Robb na guerra (apesar de a um ritmo mais lento, pois não contam com o apoio das tropas perdidas no Casamento Vermelho). Theon chega lá para encontrar a guarnição morta, morrendo ou escondida com medo dos demônios do pântano e seus venenos (ADWD, Fedor II).
Em segundo lugar, na marcha para Winterfell, Asha e Alysane conversam um pouco.
– Você tem irmãos? – Asha perguntou para sua carcereira.
– Irmãs – Alysane Mormont respondeu, ríspida como sempre. – Éramos cinco. Todas garotas. Lyanna está de volta à Ilha dos Ursos. Lyra e Jory estão com nossa mãe. Dacey foi assassinada.
– O Casamento Vermelho.
(ADWD, O Prêmio do Rei)
Como Alysane sabe que suas irmãs estão com sua mãe? A partir das descrições da hoste que Robb leva para o sul nos três primeiros livros parece que Dacey é a única filha que acompanha Maege. Isso faz um certo sentido, pois Dacey é a herdeira de Maege e as meninas mais novas não entrariam em guerra enquanto Alysane, a próxima da fila, permanece na Ilha dos Ursos.
Quando, então, Lyra e Jorelle saíram de casa? Elas e Alysane já estão ausentes quando Stannis envia suas cartas para todas as casas do Norte exigindo lealdade. Caso contrário Lyanna, de 10 anos, não teria tido a chance de responder de forma memorável, deixando Jon intrigado com a castelã escolhida pelos Mormonts (ADWD, Jon I).
De fato, se Maege estava em comunicação com a Ilha dos Ursos, suas filhas mais velhas provavelmente saberiam dela sobre Robb nomear Jon seu herdeiro, o que dá novo sentido às palavras de Lyanna. Assim como Wylla Manderly, Lyanna pode ser considerada jovem demais para participar de qualquer conselho secreto, mas, no entanto, sabe onde estão as verdadeiras lealdades de sua família, revelando-se inadvertidamente como “mulheres Stark” para Stannis, da mesma maneira que Wylla quase revela para os Frey que os Manderly eram. Talvez Lyanna atue em um desejo infantil de convencer Jon, que está na Muralha com Stannis, a reivindicar sua coroa.
Alysane chega mais tarde a Bosque Profundo e com a companhia.
Stannis tomara Bosque Profundo, e os clãs das montanhas se juntaram a ele. Flint, Norrey, Wull, Liddle, todos.
E tivemos outra ajuda, inesperada mas muito bem-vinda, da filha da Ilha dos Ursos. Alysane Mormont, a quem os homens chamam Mulher-Ursa, escondeu combatentes em uma flotilha de barcos de pesca e pegou os homens de ferro desprevenidos quando chegaram à costa. Os dracares Greyjoy foram queimados ou tomados, suas tripulações mortas ou rendidas. [...]
... mais nortenhos chegam enquanto as notícias da nossa vitória se espalham. Pescadores, mercenários, homens das colinas, arrendatários das profundezas da Matadelobos e aldeões que abandonaram seus lares ao longo da costa rochosa para escapar dos homens de ferro, sobreviventes da batalha do lado de fora dos portões de Winterfell, homens que já foram juramentados aos Hornwood, aos Cerwyn e aos Tallhart. Estamos cinco mil mais fortes enquanto escrevo para você, e nosso número incha a cada dia.
(ADWD, Jon VII)
A Ursa não poderia ter sido avisada da movimentação de Stannis em Bosque Profundo. Stannis praticamente desaparece do mapa enquanto ele arrebata Liddles, Norreys, Wulls e Flints, banqueteando-se pelas montanhas. Alysane está em Bosque Profundo em nome de outra facção. Uma que planeja retomar o castelo há algum tempo, uma vez que uma frota de navios de pesca (e os guerreiros que se escondem neles) não pode ser montada rapidamente.
De fato, os nortenhos que ingressaram no exército após a vitória de Stannis poderiam ter originalmente sido programados para atacar os homens de ferro em conjunto com as forças de Alysane. Ironicamente, isso significaria que Stannis seria a ajuda inesperada, mas muito bem-vinda, liberando Bosque Profundo antes do prazo e com menor custo para o Norte.
Em terceiro lugar, há Robett Glover, irmão e herdeiro mais novo de Galbart, que está em Porto Branco com Manderly. Para revisar, Robett é capturado em Valdocaso, mas é trocado por Martyn Lannister, filho de Kevan. Roose Bolton ordena que essa batalha seja travada, tentando sangrar as casas do Norte que se opunham a ele como Protetor do Norte, como acordado com Tywin.
Quando lhe trouxeram a notícia da batalha em Valdocaso, onde Lorde Randyll Tarly desbaratara as forças de Robett Glover e de Sor Helman Tallhart, seria de se esperar vê-lo enfurecido, mas ele limitou-se a olhar, numa incredulidade estupidificada, e dizer:
– Valdocaso, no mar estreito? Por que eles iriam para Valdocaso? – sacudiu a cabeça, desconcertado. – Um terço de minha infantaria perdido por Valdocaso?
– Os homens de ferro têm o meu castelo e agora os Lannister têm o meu irmão – disse Galbart Glover, numa voz carregada de desespero. Robett Glover sobreviveu à batalha, mas fora capturado perto da estrada do rei não muito mais tarde.
– Não será por muito tempo – prometeu o filho de Catelyn. – Vou oferecer Martyn Lannister em troca dele. Lorde Tywin terá de aceitar, por causa do irmão.
(ASOS, Catelyn IV)
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Robb tinha enviado o tio de Jeyne, Rolph Spicer, para entregar o jovemMartyn Lannister ao Dente Dourado, no mesmo dia emque recebera o acordo de Lorde Tywin com relação à troca de cativos. Tinha sido um gesto hábil. O filho ficava aliviado de seus receios quanto à segurança de Martyn, Galbart Glover ficava aliviado por saber que o irmão Robett tinha sido posto num navio em Valdocaso, Sor Rolph tinha uma tarefa importante e honrosa... e Vento Cinzento estava de novo ao lado do rei. Onde é o lugar dele.
(ASOS, Catelyn V)
Então, antes de Galbart partir para o Gargalo, ele descobre que Robett está a caminho do norte via mar. Onde mais poderia estar o destino de Robett, a não ser Porto Branco, o maior porto do norte? E se Maege pode entrar em contato com suas filhas, por que Galbart não poderia com seu irmão em Porto Branco, que fica muito mais próximo do Gargalo do que da Ilha dos Ursos?
Mas existe alguma pista de que Robett saiba que Robb nomeou Jon seu herdeiro? Talvez.
– A maldade está no sangue – disse Robett Glover. – Ele é um bastardo nascido de um estupro. Um Snow, não importa o que o rei menino diga.
– Alguma neve já foi tão negra? – perguntou Lorde Wyman. – Ramsay tomou as terras de Lorde Hornwood forçando o casamento com a viúva, e então a trancou em uma torre e a esqueceu lá. Dizem que ela comeu a extremidade dos próprios dedos... e a noção de justiça real dos Lannister é recompensar esse assassino com a garotinha de Ned Stark.
– Os Bolton sempre foram tão cruéis quanto espertos, mas esse aí parece um animal em pele humana – disse Glover.
(ADWD, Davos IV)
Robett e Manderly, também, parecem estar lançando mão dos disparates normais dos Westerosi sobre bastardos serem devassos e traiçoeiros por natureza, pois são nascidos da luxúria e mentiras. No entanto, GRRM lembra aos leitores da disputa pelas terras de Hornwood.
[Luwin:] – Sem herdeiro direto, haverá com certeza muitos pretendentes disputando as terras dos Hornwood. Tanto os Tallhart como os Flint e os Karstark têm ligações com a Casa Hornwood por linha feminina, e os Glover estão criando o bastardo de Lorde Harys em Bosque Profundo. O Forte do Pavor não tem nenhuma pretensão, que eu saiba, mas as terras são contíguas, e Roose Bolton não é homem que deixaria passar uma chance dessas. [...]
– Então deixe que o bastardo de Lorde Hornwood seja o herdeiro – Bran sugeriu, pensando no seu meio-irmão Jon.
Sor Rodrik disse:
– Isso agradaria aos Glover e talvez à sombra de Lorde Hornwood, mas não creio que a Senhora Hornwood iria simpatizar conosco. O garoto não é do seu sangue.
(ACOK, Bran II)
Mais tarde neste capítulo, Sor Rodrik questiona o intendente de Bosque profundo sobre Larence Snow, o bastardo de Lorde Hornwood, e o homem só tem elogios para o rapaz, à época com doze anos.
Por que Manderly e Glover gostariam de dar a Davos a impressão de que têm preconceito contra bastardos? E, por falar nisso, por que Davos se deu ao trabalho de recuperar não apenas Rickon de Skagos, mas Câo Felpudo para fins de identificação quando todos sabem que comandando a Muralha está Jon Snow, que foi criado em Winterfell com as crianças Stark?
Certamente, se a presença de Theon como protegido de Ned Stark é suficiente para passar Jeyne Poole como Arya, o testemunho de Jon pode provar que Rickon é quem Manderly diz que é. A menos que, segundo a teoria, Lord Wyman e Robett evitem escrupulosamente qualquer menção a Jon com a ideia de que quanto menos atenção for atraída para Jon (especialmente em relação a reis e herdeiros) melhor.
Bem, isso é talvez seja um pouco forçado (risadas). De qualquer forma, Robett desaparece no final de A Dança dos Dragões, não acompanhando Manderly à festa em Winterfell. Onde ele está? Uma teoria é que ele também está do lado de fora das muralhas de Winterfell ou em algum lugar próximo, escondido pela tempestade de neve, tendo liderado um exército de homens do Norte pelo Faca Branca.
Robett Glover estava na cidade e tentara arregimentar homens, com pouco sucesso. Lorde Manderly ignorara seus apelos. Porto Branco estava cansado de guerra, fora a resposta dele, segundo relatos. Isso era ruim.
(ADWD, Davos II)
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Wyman Manderly balançou pesadamente os pés. – Venho construindo navios de guerra há mais de um ano. Alguns você viu, mas há muitos mais escondidos no Faca Branca. Mesmo com as perdas que sofri, ainda comando mais cavalos pesados do que qualquer outro senhor ao norte do Gargalo. Minhas muralhas são fortes e meus cofres estão cheios de prata. Castelovelho e Atalaia da Viúva seguirão minha liderança. Meus vassalos incluem uma dúzia de pequenos senhores e uma centena de cavaleiros com terras.
(ADWD, Davos IV)
O cansaço de Manderly por guerra é total e completamente fingido. Os relatos sobre falhas de Robett emarregimentar homens também são falsos? Note que, se houver outro exército à espreita na neve, Stannis nada sabe disso.
Finalmente, voltando à pergunta original, onde estão Maege Mormont e Galbart Glover? Especula-se que eles decidam permanecer nas Terras Fluviais, usando a Atalaia da Água Cinzenta como base de operações para tentar reunir os remanescentes do exército de Robb que ficam presos e dispersos quando Fosso Cailin caiu em mãos inimigas. Por exemplo, os seiscentos homens - incluindo lanceiros das montanhas e de Proto Branco, arqueiros Hornwood, e Stouts e Cerwyns – que Roose deixa no Tridente sob o comando de Ronnel Stout e Sor Kyle Condon (ASOS, Catelyn VI) dos quais nunca mais se ouve falar. Se a viagem de Senhora Coração de Pedra ao Gargalo significar que a Irmandade sem Bandeiras está agora trabalhando com Reed, Mormont e Glover, essas forças poderão em breve reaparecer onde mais doerá nos Lannisters e Freys.

Intriga marchando para Winterfell

Com Alysane Mormont funcionando como a conexão com a Senhora Maege e, consequentemente, com a legitimação de Jon por Robb como rei no norte, os próximos jogadores nesse jogo de telefone sem fio são os homens do clã, os quais (como Manderly fica sabendo via Wex) sabem que Bran (e provavelmente que Rickon também) sobreviveu ao saque de Winterfell.
Jojen Reed parou para recuperar o fôlego.
– Acha que essa gente das montanhas sabe que estamos aqui?
– Eles sabem. – Bran avistara-os observando; não com os próprios olhos, mas com os olhos mais sensíveis de Verão, que deixavam escapar muito pouco. [...]
Só uma vez encontraram um membro do povo da montanha, quando uma súbita carga de água gelada tinha feito com que buscassem abrigo. [...] Bran achou que devia ser um Liddle. O broche que prendia seu manto de pele de esquilo era de ouro e bronze, trabalhado em forma de pinha, e os Liddle usavam pinhas na metade branca de seus escudos verde e branco.
O Liddle puxou uma faca e começou a desbastar um pedaço de madeira.
– Quando havia um Stark em Winterfell, uma donzela podia percorrer a estrada do rei usando o vestido do dia de seu nome e nada sofrer, e os viajantes encontravam fogo, pão e sal em muitas estalagens e castros. Mas agora as noites são mais frias, e as portas estão fechadas. Há lulas na mata de lobos, e homens esfolados percorrem a estrada do rei, perguntando por forasteiros.
Os Reed trocaram um olhar.
– Homens esfolados? – perguntou Jojen.
– Os rapazes do Bastardo, ora. Ele tava morto, mas agora não tá. E paga bom dinheiro por pele de lobos, segundo um homem ouviu dizer, e talvez até ouro por notícias de certos outros mortos que andam. – Olhou para Bran quando disse aquilo, e para Verão, que estava estendido ao seu lado. – [...] Era diferente quando havia um Stark em Winterfell. Mas o velho lobo tá morto e o novo foi para o sul jogar o jogo de tronos, e tudo que nos resta são os fantasmas.
– Os lobos voltarão – disse solenemente Jojen.
(ASOS, Bran II)
Este estranhamente bem informado Liddle, com seu broche de ouro e bronze, é talvez um líder em seu clã. Ele não apenas reconhece Bran, mas seu pessoal também tem se mantido atentos. O próprio fato de os homens de Bolton terem prometido recompensa por notícias dos Stark supostamente mortos sugere que eles não estão mortos. Bran também pergunta ao Liddle a que distância fica a Muralha (não consta da citação acima) e, embora o homem pense que eles não deveriam seguir esse caminho, ele fica por dentro de parte dos planos deles.
Em A Dança dos Dragões, os Liddles ajudam Stannis a tomar Bosque Profundo e a marchar para Winterfell junto com os Norreys, Wulls e Flints. Em minha opinião, há boas chances de que os Liddles tenham contado aos demais sobre o encontro com Bran e companhia. Os clãs das montanhas podem brigar por cabras e mulas roubadas, mas quando se trata dos Starks de Winterfell, há consenso. Segundo a teoria, quando Alysane se junta à marcha, ela e os homens do clã trocam informações. Os Liddles, Norreys, Wulls e Flints ficam sabendo sobre Jon, Alysane sobre Bran (e talvez Rickon, se ela ainda não tiver cruzado com os Glovers).
Pouco tempo depois, Jon hospeda Norreys e Flints na Muralha.
O Velho Flint e O Norrey tinham lugares de grande honra logo abaixo do estrado. Ambos eram velhos demais para marchar com Stannis; haviam mandado filhos e netos em seus lugares. Mas ambos haviam sido rápidos o suficiente para descer até o Castelo Negro para o casamento. Cada um trouxera uma ama de leite para a Muralha, também. [...] Entre as duas, a criança que Val chamara de Monstro parecia estar prosperando.
Por isso Jon estava grato... mas não acreditara nem por um momento que esses dois veneráveis velhos guerreiros desceriam correndo das montanhas sozinhos. Cada um viera com uma cauda de guerreiros – cinco para o Velho Flint, doze para O Norrey, todos vestidos em peles esfarrapadas e couro cravejado, temíveis como a face do inverno. Alguns tinham longas barbas, alguns tinham cicatrizes, alguns tinham ambos; todos veneravam os antigos deuses do Norte, os mesmos deuses venerados pelo povo livre para lá da Muralha. No entanto, eles se sentaram, bebendo por um casamento santificado por algum estranho deus vermelho de além-mar.
Melhor isso do que se recusar a beber. Nem os Flint nem os Norrey haviam virado suas taças para derramar o vinho no chão. Isso poderia indicar certa aceitação. Ou talvez simplesmente odeiem desperdiçar um bom vinho sulista. Não dá para provar muito disso naquelas montanhas rochosas deles.
(Jon X, ADWD)
Pode ser que Flint e Norrey estiveram na Muralha para avaliar Jon? Suponha que estes homens de clã com Stannis enviem uma mensagem ou mensageiro de volta às montanhas, falando do sucessor escolhido por Robb. Os nortenhos sobrevivem na neve muito melhor do que os cavaleiros do sul de Stannis, e duvido que algum deles notaria o desparecimento um ou dois daqueles homens. O acordo de Jon sobre o casamento de Alys Karstark e sua trégua com os selvagens seriam infrações à autoridade do Rei do Norte. E representantes dos clãs das colinas vieram para observar e julgar como ele lida com os ambas as coisas:
– Lorde Snow – disse O Norrey –, onde você pretende colocar esses seus selvagens? Não nas minhas terras, espero.
– Sim – declarou o Velho Flint – Se quer deixá-los na Dádiva, é problema seu, mas assegure-se de que não vão ficar vagando por aí, ou mandarei a cabeça deles para você. O inverno está próximo e não quero mais bocas para alimentar.
– Os selvagens ficarão na Muralha – Jon lhes assegurou. [...]– Tormund me deu sua palavra. Ele servirá conosco até a primavera. O Chorão e os outros capitães terão que prometer a mesma coisa, ou não os deixaremos passar.
O Velho Flint abanou a cabeça.
– Eles nos trairão [...]
– O povo livre não tem leis nem senhores – Jon falou –, mas amam suas crianças. Você admitiria isso ao menos? [...] Por isso insisti em mantermos reféns. [...]
Os nortenhos olharam um para o outro.
– Reféns – ponderou O Norrey. – Tormund concordou com isso?
Era isso, ou ver seu povo morrer.
– Meu preço de sangue, ele chamou – falou Jon Snow –, mas pagará.– Sim, e por que não? – O Velho Flint bateu sua bengala contra o gelo. – Protegidos, nós sempre os chamávamos, quando Winterfell exigia rapazes de nós, mas eram reféns, e nada pior que isso.
– Nada, exceto para aqueles cujos pais desagradavam os Reis do Inverno – falou O Norrey. – Esses voltavam para casa uma cabeça mais curtos. Então me diga, rapaz... se esses seus amigos selvagens se mostrarem falsos, você terá estômago para fazer o que precisa ser feito?
Pergunte a Janos Slynt.
– Tormund Terror dos Gigantes me conhece o suficiente para não me testar. Posso ser um rapaz inexperiente aos seus olhos, Lorde Norrey, mas ainda sou um filho de Eddard Stark.
(ADWD, Jon XI)
Acredito que Flint e Norrey estão devidamente impressionados aqui. Se Alysane realmente falou com os clãs da intenção de Maege Mormont de defender os últimos desejos de Robb, acho que eles estariam dispostos a aceitar Jon como Rei do Inverno.
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2020.03.06 03:56 altovaliriano A glorificação da guerra e o sonho de Dunk

Em uma “segunda de SSM”, eu tratei sobre uma entrevista que o jornal britânico The Guardian fez com Martin. No final do artigo, o jornalista relata que perguntou a Martin qual era sua cena favorita nos livros e recebeu uma resposta inesperada:
Com isso em mente, ele tem uma cena favorita em que sentiu a escrita realmente acertou em cheio? Eu perguntei plenamente esperando que ele mencionaria um dos momentos mais famosos, como o Casamento Vermelho, por exemplo, ou a morte chocante de Ned Stark no primeiro livro.
Houve uma longa pausa antes que a resposta surpreendente chegasse. “Lembro que houve um discurso que um septão [a versão westerosi de um padre] faz a Brienne sobre homens quebrados e como eles se quebram. Eu sempre fiquei muito satisfeito em ter escrito aquilo”.
O discurso em questão é um pesado e longo monólogo do Septão Meribald dá em O Festim dos Corvos, no 5º capítulo de Brienne. Podrick pergunta se desertores e foras-da-lei de equivalem e Brienne responde laconicamente, mas Septão Meribald dá um resposta longa sobre como os desertores são o resultado da destruição que a guerra dos nobres causa na vida dos plebeus.
A quem conhece um pouco do pensamento de GRRM, a resposta ao jornalista apenas parece refletir sua posição pessoal anti-guerra que permeia toda sua obra, desde a primeira história que vendeu profissionalmente, “O Herói”. Em As Crônicas de Gelo e Fogo, o autor expõe o tempo todo as consequências catastróficas da guerra, tanto para o lado vitorioso quanto para o perdedor.
Inclusive, existe um longo e excelente texto escrito por um expert em armas nucleares que demonstra como Martin se inspirou nestes dispositivos de destruição em massa para criar os dragões de seu mundo e todo o jogo político ao redor de quem vai dominá-los. O fato de alguém conseguir puxar tantos paralelos entre armas nucleares e dragões dá uma pista do tom antiguerra de ASOIAF, além de mostrar o quanto ser baby-boomer influencia na visão de mundo de GRRM.
Como era natural de se esperar, os contos de Dunk e Egg não escapam a este tipo de abordagem. Porém, aqui Martin preferiu manifestar o tema de forma onírica.
Em um recente tópico aqui no valiria, eu tentei explorar as razões que fizeram com que GRRM nos contasse sobre a viagem de Dunk e Egg à Dorne, quando ele parece ter mudado de ideia sobre qual seria o enredo da história sucessora de O Cavaleiro Andante.
Dentre várias razões que apontei para a manutenção da jornada dornesa nos flashbacks de Dunk, eu especulei que a história da morte de Castanha serve como mote para o sonho de Dunk, pois essa história revela como inocentes podem morrer por decisões estúpidas de seus senhores. Mas eu gostaria de acrescentar que inocentes e votos de cavaleiro também morrem quando cavaleiros põem o cumprimento dos deveres para com seus senhores acima de proteger os fracos.
Este é o sentido do sonho de Dunk, emanado do sentimento anti-guerra de Martin, conforme analisarei a seguir.

Um cavaleiro antes de uma espada juramentada

De fato, desde o primeiro treinamento dos plebeus que obedeceram ao chamado de Sor Eustace para a guerra contra a Rohanne fica claro que eles não teriam qualquer chance contra os cavaleiros da viúva.
Quando Dunk afirma que a necessidade de mandar todos a morte por um disputa tão pequena é uma escolha que não cabe a eles, Egg responde com uma alegoria à lição de Sor Arlan, de não dar nomes a cavalos para evitar sofrer quando eles morrem:
– Isso não é você nem sou eu quem vai dizer – Dunk respondeu. – É dever de todos eles ir para a guerra quando Sor Eustace os convoca... e morrer, se necessário.
– Então não devíamos ter dado nomes para eles, sor. Isso só vai tornar a dor mais difícil para nós quando morrerem.
(A Espada Juramentada)
De fato, é incrível a quantidade de parágrafos que GRRM leva descrevendo o processo de “batismo” dos camponeses que tinham nomes iguais. A princípio, eu não entendi porque Martin achou que isso era importante, até que eu comecei a decodificar o sonho de Dunk.
Essencialmente, o que aconteceu com Castanha nas areias de Dorne é o mesmo que está acontecendo em Pousoveloz antes de Dunk começar a pensar em uma saída pacífica para o impasse entre Osgrey e Webber. O sonho é a forma como Dunk, um homem de lealdade inquestionável e raciocínio lento, começa a perceber as consequências da obediência cega que tem prestado a Sor Eustace.

O Prólogo de um sonho

Antes de passarmos à análise do sonho, um pequeno parágrafo precisa ser examinado. Quando Dunk se deita para dormir, ele lembra dos eventos do torneio de Vaufreixo, especialmente das tragédias que ocorreram naquele dia:
Supostamente, estrelas cadentes traziam boa sorte, então ele pediu para Tanselle pintar uma em seu escudo. Mas Vaufreixo trouxera tudo menos sorte para ele. Antes que o torneio acabasse, ele quase perdera uma mão e um pé, e três bons homens perderam a vida. Ganhei um escudeiro, no entanto. Egg estava comigo quando deixei Vaufreixo. E essa foi a única coisa boa de tudo o que aconteceu.
Esperava que nenhuma estrela caísse naquela noite.
(A Espada Juramentada)
Estes pensamentos antes do sonho provavelmente é o que desperta a memória de Dunk e faz com que Baelor e Valarr surjam em seu sonho. Contudo, Dunk cita que três pessoas morreram naquele dia, mas Valarr não era era uma delas.
Essa distinção é importante para entendermos como o subconsciente de Dunk parece estar funcionando durante o sonho. Como veremos a seguir.

Decodificando

Vamos analisar o sonho na íntegra.
Havia montanhas vermelhas a distância e areias brancas sob seus pés. Dunk estava cavando, enfiando uma pá no solo seco e quente e jogando a fina areia branca por sobre os ombros. Estava fazendo um buraco. Um túmulo, pensou, um túmulo para a esperança. Um trio de cavaleiros dorneses estava parado observando e zombando dele em voz baixa. Mais além, comerciantes esperavam com suas mulas, carroças e trenós de areia. Queriam ir embora, mas não partiriam até que ele enterrasse Castanha. Ele não deixaria seu velho amigo para as cobras, escorpiões e cães da areia.
Aqui Martin estabelece a cena, mas eu quero comentar especificamente as partes em negrito.
Aqueles que lembrarem do que realmente aconteceu no enterro de Castanha, devem desde já estranhar os comerciantes esperando Dunk enterrar o cavalo.
Eu não entendi a parte do túmulo à esperança quando li a primeira vez. Mas agora que sabemos que Castanha está sendo usada como alegoria às vítimas das guerras caprichosas dos nobres e à lealdade cega de seus cavaleiros, seu significado fica evidente.
Dunk está pessoalmente cavando um túmulo para os mais fracos, as pessoas que um cavaleiro jura proteger. As pessoas que viram valor nele quando ele enfrentou Aerion por Tanselle. E ao virar as costas para elas, Dunk se torna um cavaleiro hipócrita, como os demais.
Quanto aos três cavaleiros dorneses, a seguir veremos que eles não são os cavaleiros dorneses que estavam com Dunk, mas Sor Arlan, Baelor Quebralanças e Valarr. Martin preferiu apresenta-los aos poucos durante o sonho, por isso suas identidades não são reveladas nesse momento.
Por outro lado, quem lembrar dos detalhes do enterro de Castanha, saberá que não foi assim que os cavaleiros dorneses se portaram.
O castrado morrera de sede, na longa travessia entre o Passo do Príncipe e Vaith, com Egg em suas costas. Suas patas dianteiras pareciam ter se dobrado sob ele e o cavalo ajoelhou, rolou de lado e morreu. Sua carcaça estava ao lado do buraco. Já estava dura. Logo começaria a feder.
Esta realmente parece ter sido a forma como Castanha morreu. Mesmo que valha a pena debater se Martin não está criando um paralelo entre a sede que matou o cavalo e a seca que levaria a morte dos plebeus, me parece que essa parte só está aí para estabelecer o pano de fundo do acontecimento.
Dunk chorava enquanto cavava, para diversão dos cavaleiros dorneses.
Água é preciosa para se desperdiçar – um deles disse. – Não devia desperdiçá-la, sor.
O outro riu e disse:
– Por que está chorando? Era só um cavalo, e bem feio.
Castanha, Dunk pensou enquanto cavava, o nome dele era Castanha, e ele me levou nas costas por anos e nunca empacou ou mordeu. O velho castrado parecia uma coisa lamentável ao lado dos corcéis de areia lustrosos que os dorneses cavalgavam, com suas cabeças elegantes, pescoços longos e crinas se agitando, mas Castanha dera tudo o que podia dar.
É notável perceber que dois dos “cavaleiros” dão mais valor a água do que a Castanha, assim como Eustace (e Rohanne) do que a vida dos plebeus. Contudo, estes “cavaleiros” montam cavalos melhores do que um velho castrado, indicando que eles são de uma estirpe acima da pequena nobreza (como veremos a seguir).
– Chorando por um castrado de costas arqueadas? – Sor Arlan disse, em sua voz de velho. – Ora, rapaz, você nunca chorou por mim, que o colocou sobre as costas dele. – Deu uma risadinha, para mostrar que não queria causar mal com a censura. – Esse é Dunk, o pateta, cabeça-dura como uma muralha de castelo.
– Ele não derrubou lágrimas por mim tampouco – disse Baelor Quebra-Lança, do túmulo. – Embora eu fosse seu príncipe, a esperança de Westeros. Os deuses nunca pretenderam que eu morresse tão jovem.
– Meu pai tinha só trinta e nove anos – lembrou o Príncipe Valarr. – Tinha tudo para ser um grande rei, o maior desde Aegon, o Dragão. – Olhou para Dunk com frios olhos azuis. – Por que os deuses o levariam e deixariam você? – O Jovem Príncipe tinha o cabelo castanho-claro do pai, mas uma mecha loura-prateada o atravessava.
Vocês estão mortos, Dunk queria gritar, vocês três estão mortos, por que não me deixam em paz? Sor Arlan morrera de um resfriado, o Príncipe Baelor, de um golpe dado pelo irmão durante o julgamento de sete de Dunk, e seu filho Valarr, durante a Grande Praga daPrimavera. Não tenho culpa por esse. Estávamos em Dorne, nem mesmo ficamos sabendo.
Sor Arlan é o terceiro cavaleiro, mas o primeiro que vimos ser revelado. Depois, Baelor e, por fim, Valarr. Isso ocorre porque foi nesta ordem que eles morreram, e é a ordem inversa de suas idades.
Enquanto a fala de Valarr é uma repetição quase idêntica do último diálogo entre Dunk e o príncipe (até mesmo as descrições), as falas de Sor Arlan e Baelor se concentram no fato de que Dunk não havia chorado a morte deles, mas agora chorava a morte de um cavalo.
A razão para isso é porque Dunk não foi responsável pelas mortes de nenhum dos três, nem mesmo a de Baelor Quebralanças (ao menos não totalmente). Mas ele foi responsável pela morte de Castanha.
No caso de Valarr, o próprio Dunk não vê culpa sua.
Sor Arlan morreu de um resfriado e os pensamentos de Dunk foram de que “ele teve uma vida longa” e “Devia estar mais perto dos sessenta do que dos cinquenta anos, e quantos homens podem dizer isso? Pelo menos vivera para ver outra primavera” (O Cavaleiro Andante). Portanto, salvo por sentimentalismo, Dunk não havia porque achar que tinha culpa na morte do velho.
Já o Príncipe Baelor entrou no Julgamento dos Setes por conta própria, sem que Dunk sequer cogitasse convidá-lo e para a total surpresa dos Targaryen na equipe dos acusadores. Então, objetivamente não há culpa real de Dunk. Ele não tinha uma escolha real.
Entretanto, mesmo que Dunk sinta-se a culpado, ele sabe que só poderia ser responsável por uma parcela. De fato, como o próprio cavaleiro admite, ele divide o fardo com Maekar: “Você o acertou com a maça, senhor, mas foi por mim que o Príncipe Baelor morreu. Então eu o matei tanto quanto o senhor” (O Cavaleiro Andante).
Contudo, Castanha morreu exclusivamente porque Dunk estava caprichosamente correndo atrás de uma mulher em uma das regiões mais inóspitas dos Sete Reinos.
– Você é louco – o velho disse para ele. – Não vamos cavar nenhum buraco para você quando se matar com essa tolice. Nas areias profundas, um homem deve estocar sua água.
Vá embora, Sor Duncan – Valarr disse. – Vá embora.
A mensagem aqui é bem direta: sacrificar os plebeus em nome do dever como espada juramentada era teimosia inútil, uma “guerra estúpida” como alegara Egg, pois ninguém realmente ligaria se ele morresse ou vivesse.
Egg o ajudava a cavar. O garoto não tinha pá, só as mãos, e a areia voltava para o túmulo tão rápido quanto eles a tiravam. Era como tentar cavar um buraco no mar. Tenho que continuar cavando, Dunk disse a si mesmo, embora suas costas e ombros doessem com o esforço. Tenho que enterrá-lo profundo o bastante para que os cães de areia não o encontrem. Tenho que...
– ... morrer? – perguntou Grande Rob, o simplório, do fundo do túmulo. Deitado ali, tão quieto e frio, com uma ferida vermelha irregular escancarando sua barriga, ele não parecia tão grande.
Dunk parou e o encarou.
– Você não está morto. Você está dormindo no porão. – Olhou para Sor Arlan, em busca de ajuda. – Diga para ele, sor – pediu. – Diga para ele sair do túmulo.
A primeira menção a Egg no sonho é como ajudante de Dunk na missão inútil, o que reflete a última discussão que teve com o escudeiro, na qual conseguiu sua obediência na base da rispidez.
Porém, no meio da tarefa, há a primeira indicação clara de que o ocorrido com Castanha serve de alegoria à situação atual, na qual Dunk está colocando inocentes em perigo ao convoca-los, treiná-los e ficar em negação sobre suas chances.
Até mesmo Sor Bennis, o Marrom, está mais desperto para isto do que Dunk. É claro que o cavaleiro marrom não queria mais trabalho, porém suas atitudes estavam mais voltadas a evitar um banho de sangue do que as tomadas por Dunk.
Com efeito, o cavaleiro não só era contrário a levar a notícia da represa a Sor Eustace, como também não se enganava quanto às chances dos camponeses que estava treinando.
Dunk estava em tamanha negação, que mesmo ao ver Grande Rob mortalmente ferido no buraco em que estava cavando, virtualmente perguntando a Dunk “Tenho que morrer?”, o cavaleiro ainda pediu auxílio a Sor Arlan, seu carinhoso mentor, aquele que lhe ensinou sobre os deveres de uma espada juramentada, que atestasse que nada de errado estava ocorrendo.
Só que não era Sor Arlan de Centarbor que estava parado perto dele, mas Sor Bennis do Escudo Marrom. O cavaleiro marrom só gargalhou.
– Dunk, pateta – disse –, destripar é algo lento, certamente. Mas nunca conheci um homem que viveu com as entranhas penduradas. – Uma espuma vermelha borbulhou em seus lábios. Ele se virou e cuspiu, e as areias brancas beberam tudo.
Buco estava parado atrás dele com uma flecha no olho, chorando lentas lágrimas vermelhas. E lá estava Wat Molhado também, a cabeça cortada quase na metade, com o velho Lem e Pate olho-vermelho e todo o resto. Todos tinham mastigado folhamarga com Bennis, Dunk pensou de início, mas então percebeu que era sangue escorrendo por suas bocas. Mortos, pensou, todos mortos, e o cavaleiro marrom zurrava.
– Sim, melhor se manter ocupado. Tem mais covas para cavar, pateta. Oito para eles, uma para mim, uma para o velho Sor Inútil e a última para seu garoto careca.
Porém, no lugar de Sor Arlan estava Sor Bennis. Isto é o sinal de que não havia lição de honra a ser aprendida, só a realidade nua e crua finalmente se mostrando a Dunk.
Todos morreriam na guerra e tudo seria absorvido e justificado por ela. Até mesmo pessoas que Dunk julgava estarem fora do alcance do conflito, como Egg.
A pá escorregou das mãos de Dunk.
– Egg – gritou –, fuja! Temos que fugir! – Mas as areias escorregavam sob seus pés. Quando o garoto tentou se precipitar para fora do buraco, tudo desmoronou. Dunk viu as areias cobrirem Egg, enterrando-o enquanto ele abria a boca para gritar. Tentou abrir caminho até o escudeiro, mas as areias erguiam-se por todos os lados, puxando-o para o túmulo, enchendo sua boca, seu nariz, seus olhos...
Apesar da alegoria, o sonho aqui mostra bem claramente que a indolência de Dunk levaria todos para dentro do túmulo que Dunk estava escavando para aqueles que morreram porque ele fechou os olhos.
A mensagem anti-guerra que parece estar subjacente aqui é a de que o cumprimento cego do dever não absolve ninguém da responsabilidade pelos mortos, e o conflito atinge a todos indiscriminadamente. E as consequências nefastas da guerra estão por todo nas terras Osgrey. Seja nas vilas ou nas amoreiras.

O epílogo de um sonho

Para finalizar, é preciso analisar o que realmente aconteceu durante o enterro de Castanha.
A primeira coisa a entender é que Dunk não chorou e não houve enterro nenhum:
Nunca chorei. Posso ter tido vontade, mas nunca chorei. Ele tentara enterrar o cavalo também, mas os dorneses não esperaram.
Porém, a lição que Dunk ouviu de um dos cavaleiros dorneses era relativa ao ciclo da vida e a aceitação de que os animais carniceiros que viriam cear da carne de Castanha estavam protegendo a sua própria prole:
– Cães de areia precisam alimentar seus filhotes – um dos cavaleiros dorneses dissera para ele enquanto o ajudava a tirar a sela e os arreios do castrado. – A carne dele vai alimentar os cães ou as areias. Em um ano, seus ossos estarão totalmente limpos. Isso é Dorne, meu amigo.
A partir desta mensagem é que Dunk, já acordado, faz uma nova reflexão sobre as eventuais mortes dos plebeus. Porém, nem mesmo nesta nova meditação Dunk é capaz de achar significado algum para que os novos soldados de Osgrey percam suas vidas:
Ao lembrar-se daquilo, Dunk não pôde deixar de se perguntar quem se alimentaria das carnes de Wat, Wat e Wat. Talvez haja peixes xadrezes no Riacho Xadrez.
Encerrada a questão no plano onírico e no plano racional, não surpreende que Dunk tenha, logo depois do treinamento, perguntando a Sor Osgrey por uma alternativa.
Uma espada juramentada deve serviço e obediência ao seu suserano, mas isso é loucura.

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2020.02.06 02:31 wilsondefreitas Transformação Digital nas [pequenas e médias] empresas, a sua está preparada?

Transformação Digital nas [pequenas e médias] empresas, a sua está preparada?

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Transformação Digital é para pequenos

Um dos assuntos que mais vem despertando entre as PMEs (pequenas e médias empresas) é o da Transformação Digital. Muito falado, mas pouco compreendido. A rápida evolução tecnológica está transformando indústrias e criando concorrências inesperadas. Isso aconteceu com as grandes empresas e agora chegou às PMEs. Em um evento em Berlim a alguns anos atrás, o fundador do Google, Eric Schmidt acertou ao dizer que:
“Alguém, em algum lugar, em uma garagem está mirando nossa empresa neste momento. Eu sei bem disso, porque há não muito tempo nós mesmos estávamos em uma garagem. A mudança vem de onde você menos espera”.
Agora os competidores surgem de onde menos se espera. Muito provavelmente o maior competidor da sua loja de cosméticos não é uma outra loja de cosméticos, mas sim a farmácia da esquina que além de vender cosméticos também vende bebidas, doces, óculos, acessórios para smartphones, acessórios para pets, brinquedos e o que for preciso!
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Por algum tempo vimos isso acontecer com as grandes empresas. Eram os pequenos dando o troco nos grandes. De repente surgia uma startup que fazia a mesma coisa só que de um jeito melhor, mais rápido, prático e barato. Era até reconfortante, pois estava muito longe do negócio das PMEs. De fato, algumas vezes até ajudavam.
Agora parece que os ventos mudaram de lado. Estamos vendo isso acontecer por todos os lados, embora talvez não prestemos a atenção necessária as PMEs viraram o alvo da vez. Muitas vezes olhamos casos como Airbnb, Uber, Spotify, Nubank etc. como curiosidades e admiração, mas não como sinais claros de mudanças nos modelos econômicos e de negócios a que estamos acostumados. Ficamos acompanhando pela janela a os grandões apanharem dos pequenos. Uma espécie de bullying às avessas.
Mas quando olhamos com um pouco mais de cuidado podemos percebemos que os desafios das PMEs não são superar os grandes. O desafio está em não cometer o mesmo erro que os grandes. As vantagens competitivas que os pequenos negócios tinham como agilidade, flexibilidade e atendimento personaliza passaram a ser uma condição básica para a permanência no negócio. Mais ainda, aquilo que os clientes cobravam apenas das grandes empresas passam a ser um requisito comum para os pequenos e médios negócios.
Sites bem elaborados e responsivos, sistemas de alta disponibilidade, atendimento multicanal, facilidade de pagamento, velocidade e comodidade no atendimento e prestação de serviços. Tudo isso é o “novo básico”.

O mínimo diferencial


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Agora os clientes não perdoam seu negócio só porque você é pequeno. Pelo contrário. Entendem que por ser pequeno você deveria fazer diferente, muito diferente e melhor do que os que tão aí. Isso se chama diferenciação.
Ter um site mobile, fanpage, receber por cartão de crédito ou mesmo uma conta movimentada em uma rede social balada não representa muito, não é diferencial e muito menos Transformação Digital.
À medida que a tecnologia se dissemina pela sociedade, ela passa a fazer parte do negócio, da organização seja ela pequena ou grande. A tecnologia se insere profunda e dramaticamente nas entranhas (e estratégia) da empresa. Muda o contexto, o negócio e a estrutura da competição. A tecnologia facilita, elimina fronteiras e transforma cadeias de valor.
Já não baste vender produto ou serviço. É preciso entregar conteúdo relevante. Não basta atender bem, é preciso engajar. Cartão de crédito ou débito? Negativo! Quero pagar via PicPay! Tem que ser bom? Sim, mas tem que ser barato também! Deu problema? Quero falar com alguém inteligente (mesmo que artificial), mas que esteja disponível 24 horas por dia e que resolva o problema!

A transformação é nos negócios, o digital é o caminho


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Isto não significa que todas as empresas serão empresas de tecnologia ou que desenvolverão algum software disruptivo, mas devem pensar de forma digital.
Um bom exemplo é uma pequena empresa local que decide criar ferramentas, como um chatbot**, que auxiliem o cliente no processo de decisão e compra. Ou um minimercado local que consegue se conectar com e permitir compras online, entregas rápidas e métodos de pagamento abertos. É preciso adquirir a cultura organizacional da flexibilidade do modelo (pivotar) de negócio, entender que transformação digital é uma ação contínua.**
As possibilidades são infinitas, mas é preciso colocar a tecnologia no centro do negócio. É necessário pensar digital, rever as capacitações da equipe técnica e dos gestores e, principalmente, rever o posicionamento e papel da tecnologia na sua empresa. Se sua empresa gasta menos com tecnologia do que com os carros da frota provavelmente tem algo de muito errado.

Pense no amanhã

Enfim, uma estratégia de transformação digital não é uma simples transformação do físico em digital, de criação de aplicativos ou de comprar mais hardware ou software. É uma transformação da empresa como um todo, e como tal deve ser liderada pela equipe técnica com forte apoio de todos da organização.
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2020.01.03 06:49 Doomguy1234 Hoje eu dei uma chance ao amor...

Eu nunca namorei. Tenho 18 anos e nunca namorei. Já tive um total de duas quedas por outras garotas.
Uma delas nasceu em 2018. Foi um tempo depois de ter criado uma página no instagram só pra lançar interpretações de letras de músicas que eu gostava sem que me enchessem o saco. Do nada, uma garota desconhecida, não ligada a música começa a me seguir. Eu fico curioso e mando uma DM pra ela. Conversa vai, conversa vem; os dias passam e ela oferece o WhatsApp para continuarmos conversando regularmente. Encontramos um no outro uma amizade inesperada. Somos ambos de cidades diferentes, nunca nos vimos pessoalmente e ainda assim conversávamos bastante! Eu começo a sentir algo a mais por ela, mas eu acabo sufocando esse sentimento pelo medo que tive de um primeiro relacionamento, ainda mais à longa distância. Eventualmente paramos de nos falar, especialmente depois que entrei na faculdade ano passado. Atualmente ela namora, e eu estou muito feliz por ela, especialmente porque ela se despediu decentemente de mim e nunca me manipulou ou algo assim.
Por falar em faculdade, minha segunda queda também aconteceu à distância. Os vets colocaram todos os bixos num grupo. A gente tava conversando de boa sobre montar banda, o que esperávamos dos cursos, enfim. Quando uma garota me chama para conversar no privado. Lembro como se fosse hoje: “você parece ser um cara legal”. Aquilo fez o meu dia! A gente foi conversando, fez uma aposta (que eu perdi) no duolingo e tudo parecia bem com a gente. Mas daí a faculdade chegou batendo né kkkkkk... Ela era de outro curso, e nossos intervalos muito raramente batiam. As lições acabaram me convencendo a passar a maioria do meu tempo focado somente nos estudos e a gente parou de se falar. Uns tempos depois ela também começou a namorar. Àquela altura, eu estava me sentindo um lixo de pessoa. Eu não conseguia fazer amigos na sala ou na faculdade como um tudo, passava o dia, essencialmente, sozinho. Até mesmo em casa, já que eu não gosto de ficar muito no pé da minha mãe, enfermeira de uma UPA de periferia. Além disso, Engenharia Mecânica MUITO FODA de lição. Puta que o pariu. Foi nesse começo de ano que fiz meu primeiro desabafo aqui e deixei isso virar um hábito por uns 4 meses.
Pula pra novembro. Eu já tinha alguns amigos com quem eu sempre jogo Can-Can nos intervalos mas nunca passou muito disso. Eu já havia desistido de me apaixonar, pelo menos até me ajeitar e cuidar de mim mesmo. Não suporto ser fardo para outra pessoa, ainda mais emocional. Vasculhando o NeedAFriend , eu encontrei um servidor no Discord que prometia ser um refúgio para quem se sente sozinho. E eu, que não consigo socializar quase nada comprei a ideia. Se fosse ruim era só cair fora e obedecer o Coronel Fábio (Esquece essa merda aí porra). Entrei. Honestamente não era assim tão melhor no começo. Mas daí em um dos canais do servidor, voltado para uma atividade contagem (Isso mesmo, vai do 1,2,3,4, até o infinito e além) eu conheci alguém...
Ficamos contando centenas de números que nem um bando de retardados, mas pelo menos nos divertimos kkkkkkkkkkkkk. Não parecia muito de uma interação na hora, mas era a primeira coisa que fiz com alguém lá. Tempos depois fomos nos falando cada vez mais nas conversas de grupo. E mais. E mais. E mais...
Há alguns dias estávamos zoando com o bot do servidor e ela ficou curiosa a respeito de um comando de casamento. Ela se perguntou com quem ela iria testar (estávamos em 3 naquela hora) e eu me ofereci. Não havia nada melhor pra fazer, então que se dane. Ali nos “casamos”. Daí eu me divorciei para ver como era kkkkkkkk. No entanto a gente acabou gostando da ideia de ter mais um casal midiático no servidor e “casamos” de novo. A partir daí, as coisas foram crescendo entre a gente. Começamos a conversar por horas nas DMs. A fazer muitas piadas sobre casais. Até ontem...
Há um canal de flertes no servidor e ela estava de zoeira com outra garota que dizia que não havia com quem flertar. Ela disse “flerte comigo então” e eu mandei abaixo “Mas você não é casada? /s”. Um tempo depois ela me perguntou se eu queria que ela flertasse comigo e eu respondi... “Sim /s”. Nós flertamos com aquelas cantadas de pedreiro. Ela me disse que eu flertava bem melhor que ela. Eu disse que talvez devesse usar os flertes no meu primeiro encontro. Ela disse “Você se casou comigo e nunca tivemos um encontro”. Naquela hora eu comecei a pensar milhões de coisas. Eu realmente estava sentindo algo por aquela garota, mas o medo de manter um relacionamento à distância estava gritando dentro de mim.
Eu não sei da onde arranquei forças para perguntar: “você está pedindo para sair comigo?”
Ela responde: “Não sei. Você quer que eu peça?”
Ali, BEM ALI, eu me senti muito nervoso. Muito medo pesando o peito, muita vergonha de receber uma pergunta daquelas e eu não sabia se ela sentia o mínimo do que eu havia cultivado por ela. Num momento de muita adrenalina eu disse: “Honestamente? Sim”
Nos revelamos tensos e envergonhados um pelo outro, ambos surpresos e perplexos com nossas respostas. Resultado: ela me chamou para o tal “encontro”. Ele aconteceu mais ou menos das 23:40 até 1:50 de hoje.
Sabe o que é louco nisso tudo? Ela é das Filipinas! Eu me fechei a duas garotas do estado de São Paulo, mas escolhi me abrir a uma das Filipinas...
Antes de ela pedir que eu fosse dormir (nós temos essa coisa de querermos dormir não muito tarde para evitar complicações kkk), eu me abri totalmente para ela. Já era óbvio que havia algo entre nós, mas eu resolvi tirar o que eu sentia por ela do meu peito. Escrevi um baita textão me declarando após o “encontro”. Ela também se declarou pra mim: “só saiba que é uma coisa mútua entre a gente”. Eu só não saí gritando e pulando de alegria porque estou dividindo o quarto com outras três pessoas hoje kkkkkkkkkkk. Mas eu me senti extremamente aliviado de finalmente dar uma chance ao amor!
Uma garota das Filipinas e um garoto que estava quase sem esperanças para o amor. Quem diria que assim seria o meu primeiro relacionamento! Pode parecer coisa de nerd, relacionamento via Discord, mas foda-se. Eu não sei ao certo porque vim aqui desabafar (deve ser porque não me abro pessoalmente a ninguém) mas foda-se! Eu sei que hoje eu durmo feliz porque sei que alguém diferente me ama pelo que sou...
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2019.12.30 06:49 XmakegoX Copypasta boa pra contra argumento

Acontece que eu sou um inscrito do você sabia e ja assisti todos os videos dele, é isso mesmo que você leu vadia, após assistir todo o canal deles em loop por 4 anos, eu transcendi, não sou mais como vocês meros mortais, meu qi se elevou tanto que einsten não chegaria a meus pés Nem mesmo os maiores fans de rico e morte passam meu nível superior intelectual final, hoje moro na lua e medito 20 horas lunares por dia, não me alimento devido a minha capacidade espiritual avançada que adquiri em todos esses anos, nem mesmo o baralobama, presidente da china Passa de meu nivel, sou tão foda que uso minha mente pra escrever essa mensagem no meu aparelho intercelular ultrafonico, posso a qualquer momento fazer você se esquecer tudo que passou na sua vida de bosta, tudo isso graças aos videos do você sabia e fatos desconhecidos Que não são mais descinhecidos para mim por sinal, devido a minha inscrição em todos os canais de curiosidades do site youtube, solamente meu cérebro ocupa 99,9% de meu corpo, assim provando que as teorias de einstein eram falhas, meu cérebro é tão avançado que pode performar Calculos matematicos e probabilidades inesperadas jamais vistas no mundo cientifico atual, meu corpo é uma maquina de conhecimento em forma de vida, vida essa, que pode se denominar como infinita, devido ao meu conhecimento profundo sobre a imortalidade humana e vital total Sobrenatural concessional perpendicular exata, devido ao alto valor numérico de minha MÁQUINA humana que chamo de CÉREBRO, vulgo inscrito do você sabia, vendo pequenos pedaços (0,00000000001% cada) para corporações como espaços infinitos para guardar informações importantes E as empresas pagam caro, como o meu espaço cerebral é virtualmente impossivel de acabar nos dias antigos de hoje em dia, até governos grandes, como o brasileiro e o de tagamandapio utilizam de tais espaços para armazenar dados confidenciais, pois meu corpo é tão seguro que É fisicamente impossivel de ser penetrado sobre, e para aqueles que não sabem, a wikipedia foi criada solamente com base no meu banco de dados infinitos dentro de minha memoria transcendental regional, toda a informação existente no mundo não corresponde nem a 0,1% do meu maximo, O canal você sabia me ajudou muito na minha caminhada pela estrada da vida, na qual vou correndo, mas não posso parar, graças a ele agora apenas nesse instante estou processando dados espaciais da nasa e da spaceX sobre o descobrimento de aliens no buraco negro que vc chama de cu, graças ao fatos desconhecidos, agora posso ler mentes, matar todos os mosquitos da terra, baixar minecraft de graça 100% original sem virus, entre outras coisas apenas conhecidas por 0,0000000000000001% da população universal do universo, ja ganhei 1382 premios nobel por tanto Conhecimento que contenho em meus orgaos cerebrais, ja ganhei 6969 oscars por fazer fundar a video brinquedo e fazer os melhores filmes ja vistos na terra por seres mortais, de tanta inteligencia que ganhei com o canal refugio mental, fundei empresas conhecidas como a bisney, A sem-sunga, maçãzinha, sonyc, e a humor e piadas inc, transcendi tanto que fui capar de desenvolver jogos tais como mineirinho ultra adventures, vencedores de grandes premios por suas alta historias profundas e marcantes nas vidas dos gueimers, de tanto estudar com tais videos, Descobri que a raça suprema universal eram os gueimers, menos jogadores de lol, esses são viado, por isso virei gueimer, e transcendi outra vez, aumentei meus pontos de qi em 1000x, e após isso, descobri o descobrimento final de minha jornada, algo tão marcante, que não pude Me aguentar, espalhei a informação por todos as midias de telecomunicação, radio, telemarketing, propaganda no domingo legal, entre outros, e todos ficaram perplexos após descobrirem, eles mal imaginavam que por todo esse tempo, eu estaria comendo o cu de quem está lendo...
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2019.12.26 04:06 douglasgonc A máquina de fazer amigos - Vinícius Perez

Link original: https://medium.com/@viniciusperez/a-m%C3%A1quina-de-fazer-amigos-3e9c77784771
Só peço que vocês leiam até o fim. Tem uma mensagem incrível nesse texto.
Era um dia normal. Não apenas normal: era um dia bom. O sol brilhava radiante no céu e o verde não poderia estar mais verde. As crianças brincavam pacificamente. Mas, e é por isso que eu venho contar essa história, aquela tarde fez uma curva inesperada. — Eu quero jogar bola! — falou, vejam vocês, um menino apelidado de Bola. Ele não era gordo nem nada. Seu apelido vinha de seu amor por futebol, sempre com um bola debaixo do braço.
— Ah, não! Eu quero brincar de pega-pega! — contestou Ritinha.
— Eu quero desvendar um crime na cidade! — afirmou Luneta, limpando a lente de seus óculos fundo de garrafa com a camiseta.
“Eu quero comer sorvete”, “eu quero aprender truques de mágica”, “eu quero andar de bicicleta”, “eu quero jogar Damas”, “eu quero desenhar”: as sugestões de brincadeira eram gritadas à plenos pulmões pelas dez ou quinze crianças que ocupavam o parquinho. Cansado daquela indecisão que não mostrava nenhum indício de um consenso, Bola gritou:
— Eu odeio vocês! Eu odeio todos vocês! E correu para casa.
Naquela noite, Bola não conseguiu dormir. Revirando pra lá e pra cá na cama, ele perguntava: — Por quê? Por que as pessoas são assim? Por que ninguém quis jogar bola? Por que meus amigos não podiam simplesmente gostar da mesma coisa que eu?
Bola sentia raiva de todos amigos e, usando essa raiva, chutava a parede do lado da cama com a mesma força que chutava sua bola de futebol. Que raiva! Se pelo menos existisse uma saída… uma solução?
Naquela noite, com os olhinhos já fechando devagarinho, Bola teve uma ideia: ele iria dar um jeito de criar amigos perfeitos que gostassem das mesmas coisas que ele. Ele iria construir A Máquina de Fazer Amigos.
Logo cedo, Bola pulou da cama e pegou a caixa de ferramentas do pai. Trancado do quarto, saindo apenas para almoçar e jantar, Bola trabalhou por horas e horas e horas e horas. Quando já era de manhã de novo que A Máquina ficou pronta. Bola não perdeu tempo e digitou no tecladinho como deveriam ser os amigos:
O sabor de sorvete favorito de todo mundo seria morango.
Todo mundo ia amar futebol.
A cor favorita de todo mundo ia ser azul. Todo mundo ia gostar de filme de policial. Cachorro-quente seria o lanche favorito de todo mundo.
E assim continuou.
Tudo igualzinho Bola gostava.
A Máquina fez clack e depois fiz crick e depois tóin e depois nhec-nhec-nhec e depois um som que parecia o vô do Bola colocando a dentadura de manhã. Uma luz piscou verde depois piscou rosa depois azul depois uma cor que Bola nunca tinha visto antes (ele batizou na hora de Uau!). E foi Uau! mesmo. O quarto todo piscava e tremia e apitava. Até que:
Puff. Puff? Puff.
Tudo apagou.
— E agora? — falou Bola, não pra máquina ou pra mim ou pra você, mas pra ele mesmo.
Da Máquina primeiro saiu um amigo, com um sorvete de morango na mão. Depois outro amigo, com uma bola debaixo do braço. Depois outro. E outro. E outro.
Funcionou! Bola tinha finalmente os amigos que sempre desejou.
Que alegria! Que felicidade! Bola não podia conter seu sorriso. Melhor, impossível. Seus amigos eram perfeitos.
De manhã, futebol. De meio dia, cachorro-quente. De tarde, sorvete de morango e mais futebol. De tardezinha, mais futebol! De noite, filme de policial. Sem a Ritinha pra sugerir vôlei. O Luneta pra querer pastel de carne. O abestado do Volnei pra querer sorvete de creme. O Sazon pra querer jogar Dama. Isso que é vida! De manhã, futebol. De meio dia, cachorro-quente. De tarde, sorvete de morango e mais futebol. De tardezinha, mais futebol! De noite, filme de policial.
Foi um dia excelente, uma semana ótima, um mês incrível! Mas aí algo aconteceu. O quê? Vou dizer. Lá pelo segundo mês, Bola não aguentava mais só assistir filme de policial. Ele sentia saudade de ver uma comédia. Só tiro, tiro, viatura, tiro. Ai que saco! Até um romance ele topava assistir. Seus joelhos já doíam de tanto jogar futebol. A panturrilha ardia. Os pés latejavam. Ele queria sentar, jogar Damas, desenhar, qualquer coisa menos futebol.
O gosto de morango já fazia sua barriga doer e sua boca ficar seca. Cachorro-quente já tinha perdido a graça, tinha gosto de nada.
Mas não. Os amigos novos só queriam aquilo. Futebol. Cachorro-quente. Sorvete de morango. Filme de policial. Envergonhado, Bola percebeu que sentia saudade de seus antigos amigos.
Naquela noite, Bola dormia pesado um sono triste de quem estava arrependido. No meio da noite, quando todo mundo já dormiu e a coisas mágicas podem acontecer, uma fada entrou no quarto de Bola e acordou-o com uma leve cutucadinha da varinha na ponta do nariz. Bola levantou assustado, achou que era uma mariposa e, com um safanão, jogou a fada, tadinha, contra o armário. Ela zonza voltou já se explicando:
Calma! Calma! Não precisa dar patada Não sou nenhum inseto, eu sou uma fada Eu vim aqui lhe ensinar uma breve lição Sobre valorizar aquilo que temos em mão! A coisa mais importante do mundo é a amizade Não importa sua cor, seu nome ou sua idade É fácil se irritar com o amigo que pensa de outro jeito
Mas tente usar aquilo que você tem dentro do peito! É fácil se apegar a quando você ouve um não, mas lembre-se bem que isso é a exceção Eles também tem preferências e sabe o que? Abrem mão delas para brincar com você! E daí que a Ritinha prefere amarelo? Lembre quando ela te ensinou a usar martelo E daí que o Volnei prefere andar de bicicleta? Juntos vocês dois aprendem coisa a beça! Ali, olhando aquela fadinha cantar voando no meio do seu quarto, Bola de fato aprendeu uma importante lição:
O que torna os amigos interessantes não são as semelhanças, são as diferenças.
No dia seguinte, Bola preparou uma grande festa e chamou todos seus antigos amigos. Ele colocou um filme de romance na TV pra Ritinha. Separou um tabuleiro de Damas para o Sazon. Comprou sorvete de creme para o Volnei. O Bola até fritou pastel de carne para o Luneta, uma pastelada e tanto! Ele explicou o que aconteceu, contou o que aprendeu e pediu desculpas. A turma toda entendeu e aceitou. Tudo certinho, a festa seguia agradabilíssima. Até que Luneta, sempre curioso, perguntou:
— Peraí! Como o Bola conseguiu a tecnologia pra construir A Máquina de Fazer Amigos, uma ferramenta que gera seres vivos instantaneamente, permitindo que o operador controle as motivações e ambições dessas pessoas? Ele é uma criança de oito anos!
As crianças todas correram para o quarto do Bola para ver A Máquina e, mesmo com o Bola tentando barrar a porta, conseguiram ultrapassar, encontrando um círculo vermelho com um pentagrama bem no meio desenhado no chão do quarto de Bola.
— Você fez bruxaria? — chorou Ritinha. — Um pacto com o Oculto? — gritou Sazon. — Você invocou o Mal? — sussurrava assustado o Volnei.
Bola tentou cobrir o pentagrama com um tapete mas era tarde demais e a criançada já tinha dado um mata-leão nele, curvando seu corpinho e colocando-o ajoelhado no chão. Em sua nuca era possível ver uma tatuagem mais ou menos assim:
https://ibb.co/wSfSy0v
Luneta, de novo curioso, perguntou:
— Peraí mais uma vez! Cadê os amigos novos do Bola? Eram umas quinze, vinte crianças brincando nessa casa dia e noite. Elas não podem ter simplesmente desaparecido.
Então Luneta olhou para baixo, estudando a carne dentro do pastel em sua mão. Meu Deus do Céu. As crianças correram até a cozinha e encontraram a geladeira recheada de perninhas e mãozinhas e dedinhos e linguinhas. Ritinha chorava compulsivamente. Sazon vomitava também compulsivamente, como um hidrante aberto na calçada. Volnei amarrou Bola com uma corda no pé da mesa enquanto as crianças pensavam no que fazer. Chamar a polícia? Um exorcista? Decapitar Bola? Queimar a casa inteira abaixo, tentando livrar a área dos espíritos do Inferno?
Mas então eles — todos ao mesmo tempo — lembraram de uma lição muito importante que tinham aprendido mais cedo naquele dia:
O que torna os amigos interessantes não são as semelhanças, são as diferenças.
Quem eram eles para julgar? Volnei desamarrou Bola e todos terminaram o dia brincando e se divertindo juntos. Amizade é saber respeitar a individualidade de cada um. Naquele dia o sol se pôs ao som das gargalhadas de crianças que tinham certeza de ter a coisa mais importante do mundo: um amigo.
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2019.10.06 04:28 altovaliriano Eddard Stark

George R. R. Martin reiteradamente afirma que nenhum personagem está a salvo da morte, uma noção que ele lapidou muito habilidosamente para estabelecer na saga. A primeira pedra da fundação desta estrutura é lançada com Eddard "Ned" Stark, ao final de A Guerra dos Tronos.
Ned é visto como personagem central do primeiro livro, no qual ele é apresentado como um pai amoroso, marido dedicado, amigo querido, líder confiável, vassalo leal, homem devoto e cumpridor de sua palavra e deveres. Estas qualidades são apontadas como as razões pela qual os leitores o identificam como o herói da história e alguém para quem torcer.
A história do personagem todos sabemos. Ned estava feliz no Norte com sua família quando notícias de que seu antigo protetor e pai de criação teria sido assassinado e seu rei (e amigo de infância) o nomeia como substituto no cargo de Mão do Rei. Desde o momento em que Ned aceita (relutante) o cargo, sua família começa sofrer com os atritos políticos entre Eddard e a família da Rainha. Em Porto Real, Eddard vai de peixe fora d'água a persona non grata enquanto investiga as circunstâncias da morte de Jon Arryn, até que perde todo o apoio político que tinha na capital com a morte do Rei Robert. Eddard tenta fazer justiça, mas é traído, humilhado e acaba por sequer ganhar a misericórdia que lhe foi prometida.
É muito apontado que Ricardo Plantageneta, o 3º Duque de York (1411-1460) seria a inspiração histórica de GRRM para Eddard Stark. O líder de sua Casa de York nos primeiros anos da Guerra das Rosas havia sido nomeado como Lorde Protetor e Regente da Coroa quando o Rei Henrique VI sofreu um colapso nervoso, traiu a Coroa e enfrentou a Rainha Margaret de Anjou, da Casa de Lancaster, mas acabou derrotado e teve sua cabeça exposta nos portões da cidade de York.
Outra inspiração histórica apontada é um dos filho de Ricardo, que viria a reinar como Ricardo III, que havia tentado usar o testamento de Eduardo IV para se tornar regente de Eduardo V... somente para depois anular o casamento de sua cunhada Elizabeth Woodville com o irmão, declarar seus sobrinhos como bastardos e tomar o trono para si. No fim, foi derrotado pelos filhos do primeiro casamento de Elizabeth.
Mas nenhuma dessas personalidades históricas pode ser tomada como referência direta à Eddard Stark, uma vez que a forma como Martin retratou Eddard parece ter sido moldada tendo em vista as necessidades da ficção e não como um estudo da história do mundo real. Portanto, é necessário avaliar a construção da personalidade de Ned Stark dentro das exigências de "As Crônicas de Gelo e Fogo".
Assim, para entender Eddard, proponho questionarmos sua criação, suas relações pessoais e suas relações políticas.
EDDARD, O ANIMAL HUMANO
Eddard nasceu como segundo filho de Rickard e Lyarra Karstark, mas sem demora foi substituído como caçula por Lyanna e Benjen. Ser um filho do meio já evoca uma série de questões sobre auto-estima e favoritismo em um núcleo familiar, especialmente em uma sociedade como a de Westeros, em que toda a fortuna da família é passada apenas para o primeiro herdeiro na linha de sucessão.
Tudo isto parecia ser verdade na família Stark. Ned relata que foi seu irmão mais velho, Brandon, quem recebeu toda a educação senhorial e era tido como o próximo senhor, até mesmo por Eddard, que não nutria nenhuma esperança de herdar Winterfell.
Neste contexto, o papel que um segundo irmão deveria desempenhar era o de leal vassalo do irmão mais velho. Não sabemos se a personalidade de Eddard foi determinante para que ele absorvesse essa postura ou se estas lições lhe foram passadas por seus pais ou por Jon Arryn. Contudo, sabemos que é assim que Eddard entendia seu papel dentro de sua família. Afinal, foram a estas lições que ele recorreu quando explicou a seu segundo filho, Bran, qual deveria ser seu papel diante do primogênito Robb.
De todo modo, se seu papel secundário e instrumental não estava claro durante sua infância em Winterfell, deve ter ficado muito claro quando foi enviado para o Ninho da Águia, para ser criado por um estranho. Ao contrário de Robert, Ned parece ter voltado pouco para a sede de sua Casa durante sua adolescência, fazendo com que seus laços com sua família e os nortenhos fossem notoriamente mais fracos do que os de Brandon, que foi criado em Vila Acidentada. Na verdade, Brandon era de tal carisma que conquistaria amigos até mesmo no Vale de Arryn.
Por outro lado, Ned é descrito como tímido, reservado, com aparência solene, coração e olhos gelados que parecem julgar os outros com desdém. Talvez isso tenha sido desenvolvido depois de adulto, e em razão das adversidades que enfrentou. Talvez estas características estivessem com ele desde que ele fosse criança. Assim, é possível que tenha deixado poucas amizades para trás quando partiu com oito anos para o Ninho da Águia.
Uma vez sob a tutela de Jon Arryn, a vida parece ter sido diferente. Como Jon Arryn havia perdido sua segunda esposa, irmão e sobrinho e não tinha filho algum, Robert e Ned eram como se fossem seus filhos mais velho e mais novo, respectivamente. Durante os nove anos que ficou por lá, é imaginável que Eddard tenha recebido muito mais deferências do que recebia de seu próprio pai em Winterfell.
Na verdade, a propalada honra de Ned Stark pode ser mais fruto de sua criação junto a Arryn do que derivada dos Stark. Não só porque a honra é uma das marcas daquela outra Casa ("Alto como a honra"), como o próprio Jon Arryn demonstrou que punha a honra frente a cega obediência (como quando se recusou a entregar Robert e Ned a Aerys e iniciou uma Rebelião por isso).
Já sobre os Stark de Rickard, por sua vez, paira uma suspeita de que tinham tanta sede de poder e influência quanto tinham de sangue (o tal "sangue de lobo"). Talvez por isso também que sejam tão notórias as diferenças entre Eddard e seus irmãos. Para além de uma mera incompatibilidade de gênios, pode ter havido uma incompatibilidade de criação.
Eddard não deixou de amar os irmãos, entretanto. Ainda que ele condene as atitudes de Brandon e Lyanna, Ned encomendou estátuas mortuárias para todos eles nas criptas de Winterfell, algo inédito na tradição Stark, que demonstra quão profundamente sentimental ele era, especialmente para seus familiares que tiveram um fim trágico.
Contudo, as vezes parece que a verdadeira família de Eddard, aquela que era dona de seu coração era triângulo que formava com Jon Arryn e Robert Baratheon. De fato, ao saber primeiro da morte de Arryn e depois da visita de Robert logo no começo de A Guerra dos Tronos, Ned vai da escuridão a luz: ele perdeu uma parte importante de sua família postiça, mas outra está a caminho para uma visita inesperada.
Por alguma razão que eu ainda não entendo completamente, entretanto, Ned parecia amar Lyanna acima até mesmo de Robert (apesar de ele achar que Robert tinha uma devoção por ela ainda maior do que a dele - AGOT, Eddard I). Nas memórias de Eddard, Lyanna era uma "menina-mulher de inigualável encanto" e, se foram verdade as especulações de que Lyanna o teria visitado às vezes enquanto ele esteve no Vale, poderia ser um indício de que entre ele e Lyanna havia uma intimidade ímpar na família Stark.
Durante "A Guerra dos Tronos", há vários instantes em que essa intimidade e as promessas que Lyanna requereu em seu leito de morte ecoaram. Mas um dos momentos que eu julgo mais significativo foi quando Robert, também em seu leito de morte, cita e imita Lyanna:
Saudarei Lyanna por você, Ned. Tome conta dos meus filhos por mim. [...]
– Eu… defenderei seus filhos como se fossem meus – respondeu lentamente.
(AGOT, Eddard XIII)
Esta coincidência parece indicar que Lyanna e Robert foram as figuras fraternas centrais na vida de Eddard.
NED, PARA OS ÍNTIMOS
Já foram explorados acima vários aspectos da personalidade íntima de Ned. Mas é preciso discriminar melhor. E o primeiro deles se refere à visão que, durante a infância, Ned tinha de sua família e vice-versa.
Sobre seu pai e mãe, pouco conhecemos através de Ned. E isso parece indicar que há uma distância, tanto porque não era um filho com deferência de nenhum deles, quanto porque ele desenvolveu sua psicologia longe de casa, sob a tutela de sua icônica figura paterna, Jon Arryn.
Sobre seus irmãos, Ned passou a vida à sombra de Brandon (sendo suplantado por ele até na tarefa de conseguir para si próprio uma dança com a garota por quem ele se apaixonou), mas até parecia apreciar esta posição, pois sentia-se mais confortável na posição de irmão cumpridor de seu dever.
Quanto à Lyanna, há muitos indícios de sua intimidade, o que talvez decorresse de seu temperamento analítico, em contraste com o sangue de loba dela. O modo como Eddard tentou persuadir Lyanna de que Robert seria um bom partido parece revelar que Eddard pensava ter algum influência sobre ela. Ao mesmo tempo, Eddard afirma que Robert não conhecia a garota como ele. Pode ser, inclusive, que a falta de de rancor de Eddard por Rhaegar e sua reação mais moderada quando o príncipe a coroou Rainha da Beleza e do Amor em Harrenhal decorram de um certo conhecimento sobre a natureza de Lyanna e de como ela poderia estar correspondendo àquilo.
Sobre Benjen, o relacionamento com Eddard parece mais distante. É curioso pensar que, sendo o outro único filho sobrevivente de Rickard e Lyarra, somente tenha se aproximado melhor de Ned nos anos entre o fim da Rebelião de Robert e seu ingresso para a Patrulha da Noite. É possível, inclusive, que essa falta de intimidade, aliada com o fato de Ned já ter retornado a Winterfell com dois filhos homens, tenham sido decisiva na decisão de Benjen ir para a Muralha.
O segundo aspecto da personalidade íntima de Eddard é como ele se portou durante sua idade adulta, enquanto fazia amigos, vivia amores e formava uma família.
Eddard nunca é descrito como sendo um homem atraente ou um amante encantador. Na verdade, Catelyn fala como ficou desapontada com ele ser mais baixo e melancólico e ter um rosto mais simples que o de Brandon. Mas ela afirma que com o tempo descobriu o amor no coração "bom e doce" de Ned.
É interessante notar que essa foi a mesma opinião que ela deu sobre o Norte a Lynesse Hightower:
Lembrava-se de como a Senhora Lynesse era jovem, bela e infeliz. Uma noite, após várias taças de vinho, confessara a Catelyn que o Norte não era lugar para uma Hightower de Vilavelha.
– Houve uma Tully de Correrrio que sentiu o mesmo um dia – Catelyn respondeu com gentileza, tentando consolá-la –, mas, com o tempo, encontrou aqui muitas coisas que podia amar.
(ASOS, Catelyn V)
Portanto, Ned é uma alegoria do Norte: inóspito, simples e melancólico, mas que guarda algum tipo beleza e calor. A próprioa Lyanna é descrita como uma bruta por alguns (meistre Yandel) e uma beleza selvagem por outros (Kevan Lannister). Sabemos que Ned não tinha a natureza da irmã, mas poderia ter um pouco dessa beleza selvagem? Talvez Ashara o tenha visto sob essa ótica? Talvez nunca saberemos.
O que sabemos com certeza é que Eddard era um marido dedicado, assim com Catelyn era uma esposa dedicada. Ironicamente, dois cumpridores de seu dever conseguiram fazer surgir amor em um casamento arranjado que era o substituto de outro casamento arranjado. A forma como Eddard se obrigou a respeitar até a crença religiosa da mulher é tocante (construindo um septo para ela e trazendo um septão a Winterfell).
Isto é diferente do tipo de amor que Robert tem por ele. A amizade entre os dois parece o típico caso em que um extrovertido carismático adota um introvertido sem amigos. Este tipo de relação - que é imposta por outra pessoa - parece ser o tipo com que Eddard lida bem. Ironicamente, poderíamos dizer que Ned só é amigo de seu "chefe", o que combina com sua lição a Jon de que um senhor nunca deve ser amigo dos homens que comanda (ADWD, Jon III).
Como pai, Ned era muito efetivo e marcou seus filhos profundamente. Podemos ver os resultados de sua criação naqueles que amadureceram antes de sua morte. Robb havia absorvido todo o dever, a honra e o senso de justiça do pai, se tornando um Eddard em pele de Tully. Jon seria sua imagem e semelhança, caso não fosse filho de outros e não tivesse sido acossado a vida inteira por Catelyn. Ainda assim, é incrível que toda essa adversidade não o tornou menos cópia de seu "pai". É notório que Jon é mais orgulhoso que Robb, mas isso é uma coisa sua, talvez um mecanismo de defesa, resultado de um complexo de inferioridade, ou apenas das falsas certezas da juventude.
Bran, Arya e Rickon eram jovens demais para que a influência do pai cristalizasse em sua personalidade. Portanto, eles hoje estão suscetíveis à influência de outras figuras paternas na jornada que enfrentam. Ainda assim, pequenas lições de Eddard continuam a ecoar neles mesmo anos mais tarde. Bran ainda se lembra sobre como seu pai dizia que apenas diante do medo os homens podem ser corajosos, e Arya procura uma matilha constantemente para não perecer como o lobo solitário 'quando os ventos brancos se erguerem'.
O caso oposto foi o que aconteceu com Theon Greyjoy. Nem todo o tratamento com deferência que lhe foi oferecido em Winterfell resultou em boas relações com Ned. Ainda que descontemos seu conflitos internos pessoais (assunto para outro texto), esta repulsa de Theon pode ser explicada pelo fato de que ele havia crescido e sido educado dentro de uma cultura que odeia os habitantes do continente, em especial os nortenhos. Portanto, diante da educação recebida nas Ilhas de Ferro e do tratamento solene que lhe era dirigido, não parece inverossímil que ele mais tarde alegue que era sempre lembrado de sua condição de prisioneiro e pense que Eddard era frio com ele.
Entretanto, como visto em A Dança dos Dragões, o verdadeiro ressentimento de Theon era saber que nunca seria parte da família Stark. De fato, havia semelhanças demais entre a história de Ned e Theon para que suponhamos que Ned não tivesse boa dose de tato quando eles se relacionavam. Ned também havia sido retirado de casa quando ainda era criança para ir morar com um estranho em uma terra estranha. Ainda que sua condição no Ninho da Águia fosse bastante menos opressora do que a de Theon em Winterfell, ninguém poderia dizer que Ned foi voluntariamente enviado para o Vale. Assim, As conclusões de Theon serão sempre injustas.
Mas esse não é o caso mais interessante e agudo entre as crianças criadas por Ned. O relacionamento mais desafiador e com mais consequência era aquele com sua filha Sansa. Comecemos por dizer que não havia nada afetivamente errado entre eles, mas as circunstâncias tornaram as falhas deste relacionamento em um sintoma do que havia de errado no próprio Eddard como Mão do Rei. Em síntese, os erros de Sansa também foram erros de Ned.
Durante os eventos sinistros que ocorreram em A Guerra dos Tronos, Ned repetidamente deixa suas filhas no escuro sobre o que realmente estava se passando. Em razão da diferença de naturezas, Arya e Sansa têm respostas diferentes às situações. Eddard tem mais sucesso em apaziguar Arya, cujas semelhanças com Lyanna podem ter ajudado com que ele a compreende-se melhor (veja: Eddard até permitiu que Arya tivesse treinamento em armas quando sabe-se que o próprio Lorde Rickard não o permitiu a Lyanna).
Contudo, Sansa não é uma garota que tinha 'ferro por baixo da beleza', como Lyanna. Sansa é a garota para quem 'a cortesia era a armadura de uma dama'. E é justamente aqui esta a falha de Eddard. Ned não tem traquejo social, não entende de sutilezas e acaba traído e executado justamente por isso. Portanto, não é nenhum coincidência ou ironia que Sansa esteja sob a tutela e controle do homem que conhecia o suficiente de sutilezas para, por exemplo, trair e garantir a execução de Ned e ainda sair de mãos limpas e levando a filha que Ned não soube lidar adequadamente.
Mas a bizarra relação pai-filha entre Mindinho e Sansa é assunto para outro texto.
LORDE EDDARD STARK
Eddard Stark foi Lorde de Winterfell e guardião do Norte por 15 anos e é amado o suficiente na região para que pessoas arrisquem as próprias vidas em intrigas e guerras para proteger seus filhos. Mas se era Brandon quem teve a educação senhorial adequada e Ned não é carismático ou tem traquejo social, como isso é possível? Muito facilmente, alguém responderia que isso se deve a um longo verão de 10 anos. Mas não é só isso, á traços da personalidade de Eddard que o tornam um bom senhor.
O primeiro deriva de uma afirmação de Catelyn lembranda por Arya quando viu Tywin Lannister em Harrenhal:
Lorde Lannister tinha um aspecto forte para um velho, com rígidas suíças douradas e uma cabeça calva. Havia algo no seu rosto que fazia Arya lembrar-se de seu pai, embora não se parecessem em nada. Tem uma cara de senhor, é só isso, disse a si mesma. Lembrava-se de ouvir a senhora sua mãe dizer ao pai para envergar a cara de senhor e ir tratar de algum assunto. O pai ria daquilo. Arya não conseguia imaginar Lorde Tywin rindo de qualquer coisa.
(ACOK, Arya VII)
Como se vê, Eddard tinha cara de Lorde. O suficiente para ser comparável a ninguém menos do que Tywin Lannister. Pode parecer irrelevante, mas é algo que o próprio Bran também nota, como Eddard assumia o rosto do Senhor de Winterfell logo no primeira capítulo do primeiro livro.
O segundo é que Ned não faz separação entre o público e o privado. Sua relação com seus próprios servos é muito pessoal. A ponto de achar que o Senhor devia ceiar com seus homens e conhecê-los, para que eles não morram por um estranho (AGOT, Arya II). Esta tipo de política pessoal é tipicamente nortenha. É o tipo de política que mais tarde Jon Snow indica a Stannis Baratheon a seguir: deixe que eles lhe conheçam e eles lhe seguirão.
Este tipo de política, contudo, não é o que seria útil em Porto Real. Mas também este erro não pode ser atribuído totalmente a Ned. O primeiro erro foi de Robert, que selecionou Ned com base na confiança, não em suas competências. Caso Robert, tivesse olhado para sua própria família (como Stannis esperava, por isso que ele partiu para Pedra do Dragão depois que Robert o pulou), talvez o conflito contra os Lannister teria sido muito mais restrito e menos danoso ao reino.
Havia sinais que Robert deixou de ler quando selecionou Eddard para o cargo de Mão. O primeiro era que Eddard era essencialmente um soldado. Jaime Lannister, quando avalia Randyll Tarly como candidato a Mão de Tommen, ele avalia que um soldado é uma "fraca Mão para tempos de paz" (AFFC, Cersei II). E isto é especialmente verdade quando notamos que Eddard é um agente político sem agenda ou ambição. Na ausência de um conflito real, ele é apenas alguém segurando a cadeira para outra pessoa (e que não via a hora de ir embora).
Talvez tenha sido o fato de que Ned continuou no Norte a se portar como um segundo irmão obediente e não causar problemas a Porto Real que tenha feito Robert pensar que Lorde Stark daria uma boa mão. Mas a postura isolacionista de Eddard deveria ter funcionado como um sinal de que o homem não saberia lidar com costumes da política sulista.
Porém, no final, Robert preferiu algo que lhe trouxesse conforto e familiaridade. E a falta de traquejo de Ned cobrou seu preço. Desde o primeiro encontro com o conselho, Eddard demonstrou que não tinha talento para fazer aliados, não estava acostumado a não ter a palavra final e tinha uma retórica rudimentar. Todas estas qualidades reunidas fazem de uma pessoa um imã de inimizades.
Fora isso, Ned não se cercou de pessoas que poderia confiar, tampouco agiu para a destituição de pessoas de quem ele desconfiava do conselho do rei (o que seria de alguma fácil de conseguir, já que metade do conselho era de baixo nascimento).
Por fim, quando seus erros de cálculo se acumularam e circunstância fora de seu controle se mostraram desfavoráveis, Eddard julgou que poderia usar seu cargo e uma força mercenária (patrulheiros da cidade subornados) para resolver tudo e cometeu mais um erro de subestimar Cersei, dando-lhe uma chance de fugir, no que ele classificou como "a loucura da misericórida".
No final, os Lannisters usaram sua própria honra contra ele, fazendo com que ele confessasse ter fabricado a verdade pela qual seus homens morreram em seu golpe de estado fracassado.
EDDARD, O MORTO
Primeiro, temos que afirmar o óbvio: Ned não está vivendo uma segunda vida em algum pombo em Porto Real, como afirma a infame e bizarra teoria. Nós estivemos na cabeça de Eddard e ele nunca teve sonhos de warg ou qualquer experiência de troca-peles.
Mas, fora de questões lúdicas, por que Martin matou Ned?
Algumas pessoas pensam que, ao matá-lo, GRRM estava dando o tom dos livros. Pessoas sem capacidade de se adaptar não estariam aptos a serem parte do jogo dos tronos e seriam alvo fácil para jogadores mais talentosos e experientes.
Outros afirmam que foi justamente para mostrar que assim eram as políticas medievais, e que Martin está apenas sendo realista e fiel ao tom da história de nosso mundo. Porém, Martin já afirmou enfaticamente não ter ou defender uma visão niilista do mundo.
Eu gostaria de propor uma terceira via: que Ned foi morto por circunstâncias fora de seu controle. Afinal, no fim, sua morte não era prevista nem por seus inimigos. Foi apenas um capricho de Joffrey, assim como a tentativa de assassinato de Bran.
Qualquer que tenha sido a razão para Ned morrer pela própria espada que ele executa Gared no início dos livros, a morte de Eddard aparentemente já era prenunciada (foreshadowed) desde o começo do livro, com a descoberta a loba gigante morta e seus filhotes desamparados perdidos no mundo.
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2019.05.27 13:50 GajoDeRamalde ENTREVISTA A SÉRGIO CARVALHO!

ENTREVISTA A SÉRGIO CARVALHO!
P - Que balanço faz destas duas épocas no comando técnico do Boavista ?
R - Foram duas épocas de sucesso, de vitórias ( muitas delas fora de quadra), de crescimento e de muitos momentos de árduo trabalho compensado com resultados de excepção que tiveram tanto de gratificantes como de exigentes e muito desgastantes. Talvez pela forma como encaro todos os desafios da minha vida , com muita seriedade e empenho, isso me tenha trazido um desgaste tremendo mas que me deixam memórias que nunca hei-de esquecer. Do Distrital que vencemos a cinco jornandas do fim e que recolocou o Boavista nos Nacionais, à luta pela subida à primeira divisão em menos de duas épocas, creio que é assinalável mesmo sem os meios, o orçamento e as condições dos grandes candidatos.
Portanto, o balanço só pode ser positivo e só tenho pena de não poder continuar a trabalhar neste projecto a este ritmo de crescimento para chegar com naturalidade à Liga Sport Zone, objectivo que acho fazível desde que devidamente estruturado.
Alíás, este ano, ao contrário da ambição – que compreendo – de muitos adeptos, e da nossa própria vontade em fazer a cada jogo mais e melhor, o objectivo REAL era manter nesta divisão para criar condições sólidas e mais consistentes para de seguida atacar verdadeiramente a subida e não como mera consequência de um campeonato muito acima das expectativas, que foi exactamente aquilo que fizemos.
P - Quais as diferenças encontradas entre a Divisão de Elite da AFP e o Campeonato Nacvional da 2ª Divisão?
R - Tenho de dividir a minha resposta em três partes, pois apesar de serem evidentes as grandes diferenças que encontramos, não deixamos de verificar algumas situações que me desagradaram . Defrontamos uma ou outra equipas que na minha modesta opinião não têm lugar nesta divisão. Na Divisão de Elite da AF Porto existem alguns – poucos - clubes com equipas mais competentes. Depois existem aqueles que acharam que o orçamento e o nome ou estatuto seriam suficientes. Sempre foi do meu entendimento que a isso têm de se juntar competências ! E por isso vi falharem redondamente projectos com grandes ambições que ainda se acharam no direito de “menorizar” alguma da sua “inesperada” concorrência.
Mas por outro lado, convivemos com adversários com projectos, plantéis, treinadores e estrutras muito competentes e que merecem destaque. Na série que vencemos - “C”, foi um prazer jogar contra diversas equipas e privar com gente de grande qualidade e com excelentes projectos e grupos de trabalho, que tenho a certeza que continuarão a fazer coisas muito interessantes na modalidade. Não quero particularizar por razões óbvias, mas há gente jovem no futsal com um talento e um potencial imenso que poderiam, inclusive ter ido mais além esta época e depois existem figuras incontornáveis da modalidade que são autênticos “professores” que muito admiro e que mesmo não conseguindo o apuramento para a fase final foram fantásticos adversários que nos obrigaram a trabalhar muito , a sermos mais competentes e nos ajudaram a crescer e quem sabe a fazer o campeonato que fizemos. Assim como na fase final, seríamos teoricamente e para a quase totalidade das equipas o parente “pobre”, mas acabamos no terceiro lugar surpreendendo toda a gente. Também aí , admito, treinadores, plantéis e clubes com muita qualidade e condições de toda a ordem ( muito acima das nossas ) com quem seguramente aprendemos muito também.
P - Depois de dois anos de grande sucesso, o que motiva esta inesperada saída do cargo de treinador ?
R - Foram dois anos muitíssimo desgastantes. Recordo que fui convidado no pior ano de sempre do Futsal do Boavista. Ainda assim aceitei . E aceitei por isso mesmo. Ser treinador no distrital – com o devido respeito por todos os treinadores e equipas – não estava nos meus planos, assim como não estava regressar ao futsal. Tinha acabado um ciclo, que gostaria de ter fechado de outra forma no futebol de formação, e precisava de me focar noutras questões quotidianas da minha vida profissional. Mas infelizmente assisti à queda do futsal do meu Boavista nos distritais. Não podia dizer que não. Senti uma mágoa imensa e é nesses momentos que os verdadeiros Boavisteiros têm de lá estar. Porque o clube é nosso. Dado o meu passado na formação, onde ajudei como seccionista, e mais tarde, como treinador, a formar vários atletas de referência na actualidade, e onde fui muito feliz ao conquistar vários titulos. Como sempre nestas ocasiões ninguém gosta de dar a cara , de se oferecer para treinar ou de se aproximar de um grande clube. Olhamos à volta e vemos os de sempre para ajudar. Os Boavisteiros ou os que gostam muito do clube, com competências para tal – acorrer para ajudar a recuperar, a reerguer muitas vezes sem nada. Foi aí que decidi aceitar o convite do Sr. Antonio Morais e do Dr Bruno Sousa, aos quais estou grato por se terem lembrado de mim, do meu trabalho e me deram a honra de treinar o meu clube na categoria sénior.
Porém nem sempre a vida permite a quem não é profissional de um qualquer desporto, a possibilidade de permanecer nos projectos que desenvolve. A minha saída tem apenas a haver com uma incompatibilidade pessoal e profissional gerada há já algum tempo que em consciência não me permitem treinar no próximo ano, assim como já foi demasiadamente exigente esta época. Estaria agarrado a um lugar por vaidade sabendo que não poderia dar o melhor de mim. Como não sou vaidoso e só quero o melhor para o Boavista , com muita pena e mágoa minha tenho de interromper este meu trajecto enquanto treinador. Queria muito levar este ciclo um pouco mais além mas por agora não é de todo possível.
P - Coloca a hipótese de um regresso ?
R - Neste momento ficarei apenas a colaborar no que for eventualmante necessário. Não sabemos o dia de amanhã nem muito menos o que pode acontecer. Porém, atendendo a esta minha decisão , não coloco qualquer cenário para não ser elemento condicionador seja do que for. Quero que o Futsal do Boavista continue a crescer – o mais dificil está feito, ou seja a recuperação da modalidade, o seu reconhecimento e a sua dignidade com base numa equipa ambiciosa e vencedora. O meu desejo é portanto que o próximo treinador seja feliz e consiga desenvolver um trabalho se possivel melhor que o meu, porque o sucesso do Boavista está acima de qualquer ego ou personalidade.
Aproveito esta oportunidade que me concedem para agradecer do fundo do coração aos meus atletas – todos eles ( são os meus campeões e desejo-lhes toda a sorte do mundo no desporto e na vida ).Ninguém é perfeito mas acho que fizemos um excelente trabalho em conjunto e guardo gratas memórias de treinos, jogos e momentos únicos do grupo que ficam no nosso imaginário. Foram duas grandes épocas de dois incriveis grupos de trabalho que “encarnaram” o ADN do Boavista .
Aos meus adjuntos ( Nuno Andrade, João Marques, Augusto Correia, “Alex” Peixoto) o reconhecimento pelas capacidades técnicas, humanas e organizacionais que foram decisivas em muitos e muitos momentos, além da estrutura mental que tiveram para me “aturar” e ao meu diretor desportivo que foi sensivel ao meu apelo e também não virou a cara à luta no momento mais critico ( Filipe “Buffon” ) . Todos foram decisivos. Quanto aos diretores uma palavra de apreço pelo seu trabalho - muito especialmente ao Sr José Batista e Diogo Batista – bem como ao Sr Flórido Melo, Orlando Teixeira e ao Eduardo Vasconcelos. Ao meu “velhinho Ministro”(Sr. Carlos Alberto) - massagista, uma figura do futsal que muito estimo e claro uma nota para duas pessoas. O Sr. António Morais , diretor de um departamento que se vai mantendo vivo e activo muito em função do seu trabalho e das suas escolhas e o Presidente Adjunto – Eng. António Marques – incansável no apoio às modalidades do clube.
Lanço um apelo a toda a modalidade. Ajudem quem possa vir a ser o novo treinador sénior e continuem a desenvolver o vosso trabalho na formação que muito prazer também me deu ver crescer.
Até sempre !
https://preview.redd.it/wzmtahjisq031.jpg?width=1999&format=pjpg&auto=webp&s=938b6a509dd55cee76a12c447c2d20313458ec97
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2019.04.08 04:02 lucius1309 O VAZIO

Esse negócio de envelhecer não é tão bacana quanto parece. A barriga cresce, as responsabilidades também. Por outro lado, as liberdades também crescem, mas hoje não vejo com os mesmos olhos que eu via há uns 10 anos atrás. Nenhuma farra vale a pena totalmente. Sempre tem uns probleminhas que geralmente não são citados pelas pessoas.
Vamos lá.
O que eu quero dizer é que se tornar um "adulto" é muito mais do que ter mais de 18, um emprego e contas pra pagar. Se tornar um adulto é ter maturidade emocional pra lidar com todos os problemas que a vida vai te colocar (e não são poucos, ao menos pro brasileiro médio como eu), e essa é a parte mais complicada de todas: maturidade emocional.
Durante toda a minha vida eu fui um desastre emocional, ainda sou na maioria do tempo, geralmente meus relacionamentos não duram porque eu fodo tudo o que coloco as mãos, era assim na época da garrafa e nada impede que seja assim agora. Ao menos Mariana tem me aguentado tem uns 4 meses, e ela é uma garota extremamente paciente pra lidar com o cara fudido que sou, ou ela viu alguma coisa de especial em mim que eu ainda não consegui ver, e por isso tá tentando. Estamos nos dando bem, e acredito que ela está despertando sentimentos em mim, talvez íntimos demais pra citar em textos, talvez coisa que eu tenha que falar olho no olho com ela, mas que ainda sou excessivamente covarde pra admitir.
Falando em covardia, antes que eu fuja demais do tópico do texto, vou voltar a ele. O vazio.
Já se foi a época em que eu sentava em frente às teclas e escrevia páginas e mais páginas de contos sobre histórias (em sua maioria) reais da minha vida, em que eu, bêbado, gargalhava daquilo tudo e exprimia em frases de maneiras deliciosamente diferentes toda aquela rebeldia juvenil que existia em mim. Eram atos de total delinquência e que não me arrependo, mas hoje vejo como imaturidade. O que era natural pra minha idade. Hoje os textos são um pouco diferentes, eles geralmente ficam remoendo por dias na minha cabeça, quando saio pra caminhar crio um pouco, quando estou na fila do supermercado, mais um pouco, quando estou pagando contas usando o aplicativo pra celular do meu banco, penso em mais alguma frase de impacto. Claro que na hora que sento pra passar isso pro word, sai tudo de maneira inesperada e sem nexo, porque minha memória é extremamente fudida pelo uso excessivo de álcool e drogas, portanto é tudo muito novo, e as coisas que vinha punhetando mentalmente, acabam passando batido.
Mas vamos lá.
Outro dia eu estava pensando no que possa ter me levado a beber descontroladamente, não foi só fator genético, não foram só as festinhas com meus amigos enquanto a gente ouvia Saxon, Metallica, Megadeth, Alice in Chains, Slayer e cheirávamos cocaína até as 8h da manhã, não foi só o isolamento que eu mesmo me colocava na época do ensino fundamental, em que eu era completamente ignorado pelos outros imbecis da sala, e também pelos professores, que viam em mim um garotinho assustado e completamente incapaz de lidar com o sucesso que eu obtinha nas provas, fazendo-as quase sempre sem estudar porra nenhuma e tirando 9 ou 10. Vou falar agora de uma maneira completamente arrogante e quero que se foda: era fácil demais pra mim. Enquanto todo mundo se matava, eu fazia tudo com as duas mãos amarradas nas costas. Eu tinha potencial pra ser um grande gênio, mudar o mundo talvez, mas existia uma barreira que vinha dentro de uma garrafa. Era um líquido que confortava meu coração, era como se me abraçasse dizendo que tudo ficaria bem. Bêbado eu me sentia como queria me sentir, como se eu tivesse voltado pra dentro do útero da minha mãe, eu me sentia seguro de tudo e todos, me sentia completamente capaz e preenchido emocionalmente, era uma companhia presente em todas as horas. Nas boas, nas ruins, ou nas normais. Ela nunca me abandonara. Era minha melhor amiga, com toda certeza.
Ela preenchia um vazio que existia dentro de mim, e esse vazio nasceu por uma soma de diversos fatores: divórcio dos meus pais que eu sempre me culpei, ausência de uma figura masculina paterna pois meu pai sempre tava muito louco e mal aparecia em casa, excesso de proteção da figura materna que não queria que eu sujasse minha roupa de lama, traumas diversos criados entre a infância e a adolescência que nunca foram devidamente trabalhados, sensibilidade emocional além do comum por uma simples questão de personalidade, falta de direcionamento em alguma atividade artística em que eu pudesse expressar o que eu sentia, enfim, são vários fatores. Esse vazio ainda existe. É um buraco enorme. A garrafa preencheu esse vazio por muitos anos, e eu já tentei preencher com outras coisas, tais como encher o cu de dinheiro, comer o maior número possível de mulheres, escrever livros, ser adepto de uma ou várias religiões, casamento, ajudar pessoas a conseguir parceiros pra namoro/sexo casual, ser bem sucedido em todos os empregos que passei, fazer exercícios pra ficar bonito fisicamente, tentar novamente encher o cu de dinheiro, conseguir, perder tudo de novo. De qualquer forma, todas essas tentativas de preencher não deram certo, e eu acho que dinheiro, buceta, fama, isso não vai resolver. Eu não sei o que vai resolver, o que vai finalmente fazer eu me sentir bem comigo mesmo. Não sei nem se alguma coisa é capaz disso.
O vazio é enorme demais, talvez precise de anos, quem sabe décadas, pra que ele possa ser completamente recheado. E isso só vai começar a acontecer depois que eu entender qual é, de fato, o meu real problema.
Porque até agora eu não descobri. E neste momento esse vazio permanece aqui, dentro de mim, e enquanto isso, bato nessas teclas procurando respostas sem nem saber as perguntas.
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2019.02.18 06:21 EstoyHerejo Porque fazer piadas sobre assuntos 'delicados' é uma coisa boa (quando feita da maneira certa)

Antes de começar a explicar a situação eu peço que depois que voce ler todo o post e voce achar interessante esse topico, voce poderia dar um vote up no post para que outras pessoas tenham a mesma chance de participar da discussão e eventualmente o proprio matta venha trazer a tona esse assunto em alguma stream.
Outra coisa, apesar de essa ser um grupo de uma stream de LoL, eu tenho certeza que esse post vai nos levar a uma discussão interessante e a uma reflexão logo apos.
OBS: 1:19 da madrugada, minha faculgado começa hoje segunda feira as 8hrs, e eu aqui no reddit falando de o que faz uma piada ser boa. Eu acho que a minha vida é uma piada.
Depois de assistir o video DISCUTINDO COM UMA STREAMER E UMA ADEPTA AO FEMINISMO NA STREAM me veio a cabeça um video que falava sobre a situação que o youtuber Pewdiepie passou há uns 2 anos, e porque o matta não deveria retirar o emote mattaMENINXS.
Um breve resumo da situação: O pewdiepie estava fazendo um conteudo sobre o Fiverr, um site onde voce paga 5 dolares para alguem fazer alguma coisa para voce. Ele contratou 2 indianos que escreviam qualquer coisa em uma cartolina e mostravam para a camera de um modo engraçado. A frase era a seguinte: Death to all Jews (Morte a todos os judeus). Depois de toda repercussão da midia sobre isso ser ou não um caso de racismo/nazismo ele pediu desculpas publicamente e em sua defesa ele chamou a situação de "uma piada feita por um comediante amador que deu errado"
O video em questão é esse: Film Theory: Why Pewdiepie's Fiverr Joke Backfired. Matt, o autor do video, aborda alguns pontos importantes sobre a 'piada' que o Pewdiepie fez e porque ela não funcionou do jeito certo, Eu vou entrar em detalhes somente em alguns dos pontos que ele abordou, se voce quiser assistir o video completo, o link esta aqui.
Voce pode fazer uma piada com qualquer coisa, mas tudo depende de como voce constroi a piada. Imagine uma piada sobre estupro por exemplo, o que a faz funcionar ou não? Basicamente a forma que ela foi estruturada. Tenha em mente 2 situações: A primeira, um comediante em seu show standup esta contando algumas piadas sobre estupro, e alguem da plateia grita o seguinte: 'Na verdade, piadas sobre estupro não são engraçadas'. Logo em seguida o comediante a interrompe e faz a seguinte afirmação: 'Bem, esta parecendo que ela acabou de ser estuprada por 5 caras', alguem da plateia se sentiu ofendida pela piada e tornou o caso publico, e levou o comediante a pedir desculpas diante do hate que ele estava tomando.
A segunda situação é tambem de um comediante que estava fazendo seu show e disse a seguinte afirmação: 'Não querendo apoiar o estupro, e voce obviamente nunca deve estuprar alguem. A não ser que voce tenha uma boa razão, como por exemplo voce esta querendo [email protected] alguem e essa pessoa não quer deixar, que outra opção voce tem?'. Logo apos de varios aplausos e risadas o show continuou sem nenhum problema. Os dois casos são reais, o primeiro aconteceu com o comediante Daniel Tosh em 2012, e o segundo com o comediante Lewis CK em 2006.
Obviamente existe uma razão para a piada da segunda situação funcionar e a da primeira não. E a resposta está na estrutura da piada. Primeiro uma premissa simples, depois uma virada inesperada e por ultimo uma 'punchline'. A piada de Lewis tem toda essa estrutura: 'Não querendo apoiar o estupro, e voce obviamente nunca deve estuprar alguem.' como sua premissa, 'A não ser que voce tenha uma boa razão,' sendo sua virada inesperada e atraindo a atenção do publico, 'como por exemplo voce esta querendo [email protected] alguem e essa pessoa não quer deixar, que outra opção voce tem?' sendo a punchline da piada, onde ela mostra o quão ridiculo é a razão de um estuprador por tras de seus atos.
Sendo rapido nesse ponto, qualquer pessoa esta inserida em um contexto, para uma pessoa que não é comediante, ou que publicamene é vista como uma pessoa seria, fazer uma piada pode ter algumas consequencias se ela estiver fora de contexto, esse contexto é muitas vezes desprezado quando estamos falando de internet e midias sociais. Um caso de um tweet viral de uma mulher que estava viajando de Nova York para Africa do Sul é um exemplo perfeito, 'Indo para a Africa, espero não pegar AIDS, estou apenas brincando, eu sou branca.' Quando ela fez esse tweet, ela tinha certeza que essas afirmações ridiculas não seriam levadas a serio, porem não foi o que aconteceu, pois o contexto em que ela estava não foi transmitido para as pessoas. No caso de Lewis, ele estava fazendo seu show, e durante esse tempo, a plateia sabia que tudo o que ele falasse era apenas uma parte do script que ele estava seguindo para fazerem elas rirem.
Quando se faz uma piada sobre algum assunto delicado, normalmente o alvo da piada é a 'pessoa responsavel' o chamado 'punching up' ou o 'grupo que sofre' o chamado 'punching down'. Quando a piada perde a sua essencia e sua estrutura, ela é vista apenas como um meio de ridicularizar o grupo marginalizado, pois ela foi tão mal feita que o contexto se perdeu no meio da confusão.
No caso do Pewdiepie, fazer a piada, perceber que ela não foi saudavel e mesmo assim posta-la foi um dos fatores que levaram a repercussão toda, mesmo com a premissa de 'foi apenas uma piada, não era para ser levada a serio'.
Obviamente quando uma piada não é boa, ela tem consequencias, a desculpa de 'Ah, é apenas um meme' nessa situação especifica de uma piada ruim é uma das piores coisas que pode acontecer. Varios estudos comprovaram que a repetição de frases varias vezes facilita nossos cerebros a acreditarem que aquilo é uma verdade.
As piadas e os memes são uma ferramenta importante na questão da descontrução de um esteriotipo/preconceito/problema social, pois elas são um forte meio de prender atenção. Se voce tenta argumentar com uma pessoa que pensa diferente de voce, a melhor forma de chamar a sua atençao é por meio da comedia e do humor, se as pessoas começarem a rir, elas provavelmente vão estar dispostas a ouvir o que voce tem a dizer. Tenha como exemplo a piada sobre estupro de Lewis, foi feita para mostrar o quão absurdo é alguem que pensa em estuprar outra pessoa, ou uma pessoa negra fazendo piada sobre negros, mostrando o quão ridiculo é esse esteriotipo e ao mesmo tempo quebrando ao poucos o preconceito na sociedade.
Pessoalmente eu vejo a stream do matta como uma aula de cursinho, piadas em quase todo momento, e derrepente alguma informação util para a vida. Preste atanção nos IRL de Shark Tank e O Aprendiz, a gente se diverte com o matta reagindo ao quão cringe uma situação pode ser, podendo ser a ingenuidade de alguem avaliando seu negocio de uma maneira errada, o jeito de lidar com os subordinados, ou ate mesmo o quão possesso o Robeto Justus pode ficar em um programa, mas sempre o matta esta lá, tentando passar uma mensagem, sobre sua visão de mundo, sobre economia, sobre a sociedade em geral.
Sobre o emote mattaMENINXS, claramente é uma piada sobre o fato das mulheres que jogam LoL não tem coragem de jogar com outros bonecos, o proprio matta fez uma 'serie' ensinando meninas a jogar em outras roles, com outros bonecos e de outras formas, mostrando para a comunidade esse 'problema' por meio de um meme e abrindo espaço na sua stream para discutir sobre isso. O problema esta justamente no contexto, ou na falta dele.
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2018.03.05 20:32 cptmacjack Compartilhando minhas felicidades e indignações das últimas 24 horas.

Boa tarde /brasil, eu tirei um cochilo hoje à tarde e que após acordar eu finalmente percebi o mundo girando.
Nessas últimas 24 horas aconteceram algumas coisas meio insignificantes, boas e ruins que me fizeram estar um pouco confuso, mas também um pouco satisfeito.
Rant sobre o oscar, ficou maior que o esperado.
Ontem assistindo ao Oscar, estava numa felicidade danada. Minhas "previsões" estavam indo bem.
Melhor ator coadjuvante era uma vitória fácil pro Sam Rockwell, vieram as categorias técnicas que estavam bem manjadas também, maquiagem pra Darkest Hour, melhor roupa pro filme de roupa, edição de som pra Dunkirk, mas é aí que o bicho começou a pegar.
Baby Driver não ganhou nem mixagem de som nem edição, Kevin Spacey foi uma bela âncora pro filme.
Production design foi pra The Shape of Water? Enquanto só as cenas do apartamento foram realmente interessantes nesse aspecto, numa categoria contra Blade Runner.
E então o tempo bom voltou, melhor filme estrangeiro foi bem fácil, Una Mujer fantastica parece ser um filme muito bom.
Melhor atriz coadjuvante estava meio previsível porque a de I, Tonya foi a melhor velha rabugenta do ano.
Fotografia pra Blade Runner era óbvio e melhor Animação pra Coco também, embora eu não concorde com o prêmio de melhor música porque as versões tocadas no filme são muito melhores que a versão oficial da música e queria muito que a música de Call Me by Your Name ganhasse, mas ainda fico satisfeito com a vitória de Remember me.
Então vieram as categorias que eu estava esperando: Melhor roteiro original e melhor adaptado.
Este ano eu estava torcendo fervorosamente por Call Me by Your Name e Get Out, porque eles simplesmente são os melhores filmes do ano.
Anunciaram a categoria de melhor adaptado e CMBYN ganhou, fiquei feliz.
Anunciaram a de melhor roteiro original e Get Out ganhou, EU PULEI DO SOFÁ DE ALEGRIA, ME SENTI ASSISTINDO A COPA DO MUNDO, PORRA, meu mano Jordan Peele ganhou na categoria que estava mais pesada, competindo com The Big Sick, Lady Bird, The shape of water e Three Billboards. CARALHO. Se ele ganhou melhor roteiro original ele com certeza ganhará melhor filme, não é?
Então veio a categoria de melhor diretor, essa estava difícil decidir. Paul Thomas Anderson vindo com tudo, Jordan Peele com o fodendo Get Out (se ele ganhasse melhor diretor seria um puta ticket pro céu), Greta Gerwig com uma puta surpresa trazendo Lady Bird, a.k.a. prequel de Frances Ha e nosso gordito mexicano trazendo The Shape of water, que sinceramente foi um filme que ficou bem abaixo das minhas expectativas, comroteiro fraco, produção e direção medianas e ele simplesmente está longe de ser a melhor obra do Del Toro.
Mas ok, ele ganhou então bola pra frente.
Um melhor atriz previsível pra Frances, embora eu ainda acreditava numa surpresa da Saoirse Ronan.
Melhor ator também previsível enquanto eu também esperava uma surpresa do Timothée Chalamet.
E finalmente, melhor filme.
Temos 9 indicados, onde 5 são excelentes filmes, 2 são bullshit patriota, 1 nem é filme e o outro é The shape of water, um pouco overhyped.
Se qualquer um dos 5 ganhasse, eu ficaria bem feliz, embora minha ordem seja:
  1. Call me by Your Name
  2. Get out
  3. Three Billboards
  4. Phantom Thread
  5. Lady Bird
E A PORRA DO FILME DE ÁGUA GANHOU? PODE ISSO? CARALHO. O filme foi o mais "inclusor", mas teve uma mulher negra estereotipada, um homem gay muito mal escrito e uma porra de moral de história literal de peixe fora d'água? Filme super maniqueísta em 3 atos que saíram do livro do Mckee. Por favor né.
Fim do rant
Fui dormir, saí cedo pra trabalhar, na volta passei no posto pra colocar vintão e cadê que tenho dinheiro no bolso ou saldo no cartão? Foi engraçado ter que ligar a cobrar pra casa pedindo pro meu pai me socorrer no posto de gasolina.
Almocei, tirei um cochilo e acordei agora à tarde me deparando com duas coisas fora do comum.
Um gold no reddit pra um comentário que fiz com muita felicidade no coração e uma mensagem totalmente inesperada no wpp de uma mina que eu acho gente boa demais, embora conheça ela bem pouco e só conversei com ela algumas vezes, só pessoalmente, eu nem tinha o número dela.
Acho que é isso, meu rant do oscar ficou um pouco maior que o esperado e a parte boa do dia de hoje ficou pequena e ainda ignorei outras coisas.
Espero que o dia de vocês também tenha surpresas agradáveis e que alguém fique feliz por você assim como eu fiquei pelo Jordan Peele.
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2017.10.05 01:32 KoboGlo Os melhores comentários de Setembro

Posição Autor Comentário Pontos
1 fainthumming Pensei em algo. Mas você ira precisar de ajuda. Você disse que o vizinho faz reclamações semanalmente. Você fazendo barulho ou não. Passe uma semana fora de casa. Documente isso com o condominio e o seu advogado, sem que o vizinho lazarente saiba. E espere ele fazer a reclamação ao condominio como ele ja faz de custume. E use isso contra ele. Talvez consiga indenização por calunia e difamação. E é provavel que ele fique quieto de ai por diante. 342
2 MeshesAreConfusing FICAR EM CASA* Água* Pornô* Euforia* Videojogos* Cup Noodles* R$0 o ingresso* A música que você quiser 339
3 calangodragon Advogado aqui:Amigo, faça o chamado 'Pedido Contraposto' nesse Processo que esse infeliz ajuizou contra você. Nesse pedido você vai pedir indenização por danos morais por 'Importunação' feita de forma de sistêmica, constante. Mas isso não é o mais importante, isso vem depois.Quanto ao que você tem provar, nem se preocupe em relação a barulho - isso ele vai ter que provar em juízo. Quanto às demais asneiras, nem ilícito estas são, então... relaxe.Agora, você quer revidar? Tem um jeito ÓTIMO.Você vai ter que arranjar uma advogado pelo menos bom, e que tenha muita fluência em direito processual, especialmente no rito da 9.099/95. O seu advogado vai argumentar na 'Contestação' LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. Como prova, você vai juntar no processo o teor das reclamações (quando tu cagou, cigarro que tu nem fuma, e o restante) e vai DESPACHAR COM O JUIZ alegando OFENSA À DIGNIDADE DA JUSTIÇA. Pronto. O cara vai receber uma multa pesada e que será convertida para você;O que tá em Maiúsculo é essencial para dar certo. Edit: First Gold! Thanks kind stranger! 312
4 Rift28 Você já ouviu falar da tragédia de Darth Lula o “companheiro”? Presumi que não. Não é uma história que os Tucanos contariam. É uma lenda Petista. Darth Lula foi um Lorde Vermelho da esquerda, tão poderoso e tão carismatico que ele poderia usar o bolsa familia para influenciar votos… Ele tinha tanto conhecimento do Lado Esquerdo que poderia até mesmo eleger aqueles quem não conseguiam formar uma frase inteligível.Ele se tornou tão poderoso… que a única coisa que ele temia era ser preso amanhã, o que eventualmente, é claro, aconteceu. Infelizmente, ele ensinou ao Palocci tudo o que sabia, então ele o delatou em seu sono. Lula não pôde prever isso antes acontecer. É irônico… Ele podia salvar os outros do Moro, mas não a si mesmo. 305
5 Cara_Estranho You're just experiencing one historical aspect of Brazilian culture that is heightened now because of the moral and economic crises we're going throw. Don't take it personally, just see it as an experience and learn from it. And if you're happier here, tell them that 299
6 maanofculture "Stew of beans"?Ta de sacanagem né.... aposto que no /italy eles chamam pizza de "cheese bread" e lasagna de "cheese, meat and tomato pasta" também.Feijoada é feijoada brother.. Stew o cacete.. 293
7 Nelson_Rubens A pessoa nem pode mais ter um retrato do filho no trabalho, OP?? 252
8 Pandelicia > tem um emprego onde sua única função é ser atraente> reclama de privilégioOk. 218
9 PaiToba Gemidão exportação 212
10 madman320 Melhor JAIR pagando a multa! 205
11 DoctorWhoSeason24 Me dói muito ver o ódio, especialmente de gente como quem está nesse sub, que deveria em tese ser esclarecida. Inacreditável que o post mais votado desse tópico seja uma comemoração da tragédia.É muito fácil comemorar quando não é com quem você conhece. O Cancellier foi meu professor e meu reitor, e foi exatamente esse tipo de comentário que levou ele a fazer isso. A reputação do cara era absolutamente ilibada ao longo da vida toda e quem conhecia ele sabe que desde sempre a filosofia dele e da gestão dele foi de fazer um meio de campo administrativo para apaziguar ânimosVocês que estão dando risada e comemorando que morreu um corrupto, sabem porque ele foi preso? Por ter avocado um processo administrativo que discutida possível desvio de verbas no programa de EaD, desvio que aconteceu ao longo de muitos anos, antes da gestão dele. Segundo a juíza, isso representaria tentativa de obstruir a justiça que justificaria a prisão temporária. Nada além disso. A decisão não tem fundamentação e não estão sequer cumpridas as hipóteses legais para prisão temporária (para quem tem interesse em saber, é pacificado no STJ que prisão temporária só nas hipóteses em que estão cumulados os requisitos dos incisos I e II ou I e III do art. 1º da lei 7.960/89, e a juíza mal e mal indicou a ocorrência da hipótese do inciso I)Além das manchetes sensacionalistas e do tribunal da opinião popular, não havia ninguém o acusando de ter desviado dinheiro ou sujado as mãos. Cancellier se matou porque não sabia lidar com a repentina e inesperada colocação no papel de vilão dessa narrativa.Quem acha que a histeria da Lava Jato não tem um lado negro, não é preciso nem olhar para além desse sub. Não tenho nem coragem de ler os comentários do G1.Sei lá, só espero que vocês nunca tenham que lidar com uma tragédia dessas perto de vocês, e que tentem usar esse momento para aprender alguma coisa. 201
12 HColossus Se essa ruaSe essa rua fosse minhaEu mandavaEu mandava me pagarCom moedasCom moedas digitaisPro vacilãoPro vacilão poder passar 197
13 lamounier "Reconheço que o pagamento desse benefício imprevisto possa quebrar a Previdência Social uma vez por todas, mas sugiro que o déficit incorrido seja recuperado por meio da taxação da renda das igrejas que promovem a “cura gay”.”Um argumento foda é um argumento foda. 197
14 Applecake14 Afinal, ninguém melhor para decidir sobre os direitos das mulheres do que 460 homens. 192
15 dmou O pior é que isso acontece mesmo. Estava conversando sobre essa questão de segurança com um motoboy outro dia e ele contou que duas vezes a pizzaria tinha sido assaltada com o "cliente" pedindo troco para 100 e ao chegar lá ele roubou o dinheiro, o celular e a moto do entregador (ainda leva as pizzas e o que mais estiver na moto de bônus). Fora que tem muitos restaurantes que exigem que o entregador trabalhe com sua própria moto, aí o prejuízo é absurdo para o motoboy. 179
16 abismado Não esconda isso que aconteceu do seu médico / ginecologista. Marque uma consulta o quanto antes 177
17 RapaduraGalactica Primeiramente, parabéns pros caras.Um túnel de 600m (!!!!!) e todo bem feito, iluminado, espaçoso. Inclusive colocariam trilhos pra ajudar a escoar a grana. Verdadeiros profissionais do crime.Só a logística de tirar daí toda a terra escavada sem ser percebido já me dá dor de cabeça.Devem ter gastado uma grana violenta. Mas muita grana mesmo.Segundamente, parabéns pra polícia que descobriu antes. Será que alguém caguetou? 168
18 motha_focka Se um menor de idade não pode nem fazer uma tatuagem, não pode consumir bebida alcoólica e nem fumar um cigarro. Como raios deixam uma pessoa de 12 anos decidir mudar de sexo? Mesmo que ele já tenha a decisão tomada e que se sinta preso dentro do corpo de homem, é uma escolha muito forte. Sei lá... Se não pode uma tatuagem, não deveria poder mudar de sexo... 168
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2017.09.27 22:34 fidjudisomada [Post-Match Thread] UEFA Champions League 2017/18, 2.ª Jornada: FC Basel 1893 5-0 SL Benfica

A NOITE DOS ADEPTOS NO ST. JAKOB-PARK
Dificilmente poderia começar pior o jogo, em Basileia. Não houve tempo, sequer, para testar a eficiência da estratégia de Rui Vitória para enfrentar a equipa suíça já que bastaram dois minutos para o Benfica se confrontar com uma inesperada desvantagem no marcador. Uma entrada em falso que, na maior competição de clubes do futebol mundial, habitualmente se paga com golos e sofrimento.
Nos minutos a seguir, ainda a tentar perceber o que se tinha passado, o Benfica atuou entre a vontade de reagir e a necessidade de se compor. Nunca são fáceis, esses momentos em que é preciso restabelecer a confiança e repor a organização. Pela frente, uma equipa que sentiu, prematuramente, que lhe bastaria apostar no erro adversário e na velocidade incrível dos seus avançados.
Mesmo assim, Jonas, após o primeiro sinal que o Benfica emitiu para o jogo, que poderia melhorar a sua ligação entre a zona de construção e a de criação, dispôs da primeira hipótese de finalização, que seria, no entanto, travada por um defesa do Basileia.
Pouca animação, todavia, já que, pouco tempo depois, novo golo do Basileia, num contra-ataque impensável, após a marcação de um pontapé de canto, no ataque benfiquista, que cedeu à gula e não repôs os equilíbrios que pudessem criar obstáculos à astúcia e velocidade dos suíços.
Vinte minutos, dois golos e o Basileia com um resultado que não estaria, provavelmente nos melhores sonhos dos seus responsáveis, jogadores e adeptos. Pela frente, um novo desafio se colocava ao Benfica. Um teste à capacidade mental dos jogadores, que ou reagiam ou cediam, em definitivo, às amarguras do resultado e à fatalidade de um resultado pouco prestigiante.
Mesmo sem a habitual qualidade, o Benfica foi tentando, passo a passo e perto do intervalo, o mexicano Raúl dispôs da melhor ocasião, em todo o primeiro tempo, para restabelecer a confiança dos milhares de adeptos do Benfica, nas bancadas e dos milhões que assistiam pela televisão. Um grande passe de Jonas, a bola a sobrevoar a defesa do Basileia e Jiménez a desaproveitar uma grande e rara hipótese para marcar.
Numa noite irreconhecível, este aceno de golo seria mesmo um oásis do talento benfiquista, num jogo em que uma sucessão de acontecimentos acabou por se traduzir numa soma de golos para o Basileia e num sofrimento sem fim para os jogadores do Benfica.
Um resultado infelizmente inesquecível que deixa nas mãos do plantel a difícil, mas transcendental missão de resgatar o ânimo dos adeptos, depois de um chocante resultado que ninguém esperava. Não seria a primeira vez, nem a última, certamente. A história do Benfica é a mais rica de Portugal e uma das mais ricas do futebol mundial, e entre essa riqueza podem encontrar-se outros resultados igualmente desoladores, mas que não impediram futuras conquistas que possibilitaram desejadas redenções aos olhos dos seus fiéis e merecedores adeptos.
Os mesmos que, encharcados em desânimo, fizeram ouvir a sua irrenunciável dedicação ao clube, durante largos minutos, cantando “Benfica és o amor da minha vida” e deixando mais uma exuberante demonstração de sentir benfiquista e de gritante alma clubística.
Fonte: SL Benfica

Coisas e Loisas

  • André Almeida é expulso pela 3.ª vez na carreira, a 2.ª direta.
  • Pior diferença de golos na UEFA Champions League 2017/18: 7 Karabakh (1-8 golos); 6 Benfica (1-7 golos); 6 Feyenoord (1-7 golos).
  • É a 3.ª vez que o Benfica perde os 2 primeiros jogos da fase grupos; só em 07/08 conseguiu chegar à Liga Europa, em 14/15 ficou em 4.º
  • Goleadas sofridas pelo Benfica por 5 ou mais golos de diferença​ (jogos internacionais): 2017 Basel 5-0; 1999 Celta 7-0; 1963 Dortmund 5-0; 1961 Peñarol 5-0.
  • HISTÓRICO! Nunca o Benfica tinha sofrido tantos golos nos primeiros 2 jogos na UEFA: 7 Vitória 2017; 5 Vitória 2016; 5 Jesus 2014.
  • O Benfica venceu apenas 1 (V 2-0 Paços Ferreira) dos últimos 5 jogos; 1E na Taça da Liga (SC Braga) e 3D (Boavista, CSKA, Basel).
  • Arranques de Rui Vitória no Benfica (primeiros 11 jogos na época): 2017/18 3D, 2E, 6V; 2016/17 1D, 2E, 8V; 2015/16 4D, 0E, 7V.

Eleição do MVP

Talking Points

  • O resultado foi justo? Na sua opinião o que faltou à equipa para alcançar um resultado ou exibição melhor?
  • Está satisfeito com a resposta da equipa hoje? Qual foi o aspeto do jogo que mais o impressionou?
  • Com o benefício da visão a posteriori, que alterações faria ao 11 inicial?
  • Em retrospetiva, o que faria diferente ao longo do jogo?
  • Qual foi o jogador que mais se destacou com a camisola do SL Benfica? Nessa nota, quem foi a maior deceção?
  • Quais são os aspetos positivos que o SL Benfica pode tirar deste jogo?
  • Enfrentaremos o CS Marítimo na próxima partida, no Estádio do Marítimo, em jogo a contar para a 8.ª jornada do Campeonato Nacional. Quais as perspetivas?

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2017.02.10 17:45 quiteawhile Amigos, eu tenho pensado bastante nas possíveis consequências das greves dos PMs. Por favor leiam isso e me digam onde eu tô errado (/r/ChangeMyView tupiniquim)

Vou tentar manter isso tão apartidário e unbiased fugiu a palavra, perdoem o anglicismo quanto eu consigo, pfvr desconsiderem qualquer ideal pessoal que transpareça pelo texto e se concentrem nos meus argumentos. Nesses vocês podem ficar à vontade pra apontar quaisquer erros, tô sinceramente querendo que alguém mude minha opinião porque o que tá na minha cabeça tá me deixando mais neuvroso do que eu gostaria.
Tô tentando pensar nessa história do ponto de vista do estado brasileiro, qual seria a reação mais racional pro problema que a gente tá enfrentando. Vamos presumir que os objetivos do estado são, em primeiro lugar, manter o status quo e depois manter a população segura porque isso é um fator determinante pro primeiro objetivo. Nada do que eu tô dizendo aqui é pra ser lido como verdade absoluta, por favor, é só minha opinião. Outra coisa, quando eu digo "o estado" eu tô falando do governo de uma forma geral, não de governantes específicos ou de estados específicos. Vamo lá.
Situação atual: PM em greve, estado do ES em uma situação perigosa porque nenhuma ação determinante foi tomada ainda. O que começou como uma coisa inesperada mas ainda isolada tá se mostrando ser um risco real pra outros estados.
Causa: Direito e dever de qualquer trabalhador é definido por uma disputa parecida com um cabo de guerra entre os dois lados. Essencialmente, levando em conta a natureza humana e desconsiderando exceções, o empregador vai pagar (não só limitado a salário, inclui benefícios e condições gerais de trabalho) o mínimo possível pro funcionário realizar o trabalho que ele precisa que seja feito. O empregado vai trabalhar o mínimo possível pra receber a recompensa. Pra quem concorda com a idéia de livre mercado isso pode ser feito sem nenhuma supervisão, que o mercado vai se equilibrar sozinho. A realidade brasileira é que o empregador é o lado mais fraco, então o estado supervisiona esse relacionamento com trabalhadores normais, CLT, junto disso também tem os sindicatos e uma das ferramentas pros trabalhadores conseguirem mais força pra puxar a corda são as greves. Por ser um braço do serviço militar a PM é, pela constituição, proibida de entrar em greve. Isso causa, aparentemente, um desequilíbrio nesse relacionamento, porque os servidores da PM são, por lei, impedidos de se manifestar com moderação e esse desequilíbrio existindo por tempo suficiente eventualmente vai exigir uma reação ainda mais forte do que uma greve parcial, por parte dos trabalhadores.
Então sabemos que o estado quer que a greve acabe, pra tudo voltar a ser como era antes. Sabemos que a relação estado-pm é desequilibrada por não terem as ferramentas de outros trabalhadores CLT e sabemos que chegou num ponto que criou-se essa situação. Quais são as possíveis soluções? (Fiquem à vontade pra sugerir outras)
Possibilidade A: Mostra de força. A PM e o estado tem um acordo, existem protocolos a ser seguidos e, de certa forma, a polícia militar tá dando um all-in pra ver como o estado vai reagir. Por enquanto o estado ainda não reagiu conforme deveria, mandou os militares pra rua mas ao invés de tirarem os manifestantes das portas (como seria feito se não fossem parentes dos próprios pms, vamos combinar) eles foram fazer o que os PMs deveriam estar fazendo. Ou seja, de certa forma o estado foi conivente com a greve, dando mais força pro movimento. Essa é uma situação similar com o que aconteceu com o Reagan nos EUA durante a greve dos controladores de vôo, que também eram proibidos de fazer isso. Não li muito sobre o caso mas eu sei que o então presidente demitiu todos os grevistas e colocou substitutos. Essa é uma alternativa que precisa ser tomada o quanto antes, quanto maior o atraso entre a ação e a reação maior precisa ser a mostra de força pra reestabelecer o status quo (que nesse caso é respeito da PM ao estado). O problema é que, até onde eu sei, pra fazer isso o Brasil precisa fazer uso dos militares. Ninguém nega que a PM é truculenta, que tem um raciocínio diferente das outras forças policiais. O negócio é que os militares são, por definição, esse tipo de atitude. Eles treinam contra inimigos, não treinam contra a população. Os protocolos deles são diferentes e participação militar real em policiamento tende a agitar os ânimos da população e criar um efeito dominó de protesto e reação de força (que é como o exército opera, em essência) e existe um risco sério, embora pequeno, dessa reação em cadeia levar a um golpe militar. Isso é um risco que, na minha opinião, por menor que seja, tem que ser evitado o máximo possível se queremos continuar com a democracia. Se existir outra forma de substituir a PM enquanto a
Possibilidade B: Ceder. O estado legitimiza a greve e ambos se comprometem a um acordo comum. Possibilidade B1: Chega-se a um acordo suficientemente próximo do exigido pelos familiares dos PMs e sacrifica algum outro seto público menos imediatamente essencial do que a PM. Atrasa mais ainda o pagamento de outros servidores ou algo assim, não sei, mas mostra nesse exato momento que você tem interesse em negociar e precisa só decidir exatamente o que vai comprometer pra cumprir com sua palavra. B2: Define um valor e promete pagar, não paga. Nesse meio tempo define uma forma de desvalorizar a vantagem dos PMs (ser um serviço essencial que não pode ser facilmente substituido. Em essência sacrifica credibilidade pra ajustar uma substituição mais estável. Lembrando que isso não precisa ser publicamente admitido, com certeza outras pessoas conhecem a máquina pública melhor do que eu, mas imagino que o estado consiga dar seus corres pra fingir que realmente de vdd juro minha mãe mortinha pretendia pagar.
Possibilidade C: Não toma nenhuma atitude de efeito imediato e espera o problema ir embora sozinho, ou então com os passos lentos da burocracia cotidiana. É o que me parece estar sendo feito, é o que me parece ser a pior idéia de todas.
Não tô fazendo julgamento moral ou ético, a proposta é pensar da forma mais fria possível e imaginar, baseado em previsões que reconhecem a natureza humana, qual é a forma menos pior de proceder. E aí, o que vocês acham?
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